Violência extremista ameaça progressos no oeste da África e Sahel, diz enviado da ONU

Notícia postada em 10/01/2019 18:30

Um número crescente de ataques orquestrados por grupos extremistas, usando táticas mais sofisticadas, ameaça fragilizar progressos no oeste da África e no Sahel, afirmou nesta quinta-feira (10) o enviado da ONU para a região, Mohamed Ibn Chambas. Em pronunciamento no Conselho de Segurança, o dirigente disse que “soluções militares, embora necessárias, não são suficientes” para lidar com os desafios nessa porção do continente africano.

Na Bacia do Lago Chade, foram registrados em meses recentes novos ataques do Boko Haram, principalmente contra instalações militares. Conflitos violentos entre fazendeiros e pastores também continuam, mas em menor escala. Em Burkina Faso, além de um aumento significativo nos episódios de violência, o governo declarou estado de emergência em sete das 13 regiões do país, cobrindo o norte, leste e oeste do território.

No Níger, apesar da mobilização massiva das forças de defesa e segurança, perduram desafios no oeste e no sul da nação, que viu aumentar, assim como Benim e Togo, os ataques e casos de sequestro por grupos extremistas.

Para Mohamed Ibn Chambas, são necessárias respostas mais abrangentes aos problemas regionais, que sejam “fundamentadas no respeito pelos direitos humanos e nas necessidades socioeconômicas da população nas áreas afetadas”. Em um cenário de elevado crescimento populacional, piora do desemprego entre os jovens e medidas de austeridade econômica, incluindo a eliminação de subsídios, a crescente insegurança trouxe mais um fardo para os governos, avaliou o enviado.

“Por meio de abordagens inclusivas, baseadas na responsabilidade nacional, temos de continuar trabalhando duro para combater os déficits de governança, a pobreza extrema e a falta de desenvolvimento, que alimentam e sustentam a violência armada e o extremismo”, completou o especialista.

O dirigente informou que o escritório sob seu comando atua para avançar as metas de estabilização de longo prazo, trabalhando em estreita cooperação com parceiros regionais, com base na nova Estratégia Integrada da ONU para o Sahel (UNISS).

O especialista acrescentou que um progresso louvável foi feito na implementação de uma resolução do Conselho de Segurança para uma resposta regional à crise da Bacia do Lago Chade. Mas Chambas enfatizou que “mais apoio é necessário para avançar os esforços de estabilização no Sahel”.

Eleições, um ‘teste decisivo’

O enviado especial elogiou a realização de eleições presidenciais no Mali em 2018, de eleições regionais na Mauritânia e também de outras votações no Togo e na Costa do Marfim. Porém, assinalou que apesar dos progressos democráticos, são necessários esforços contínuos para lidar com questões contenciosas associadas aos pleitos.

Segundo Chambas, o tema tem importância particular para os próximos seis meses porque a região será palco de várias eleições relevantes, previstas na Nigéria, Senegal, Mauritânia e Benim. O representante da ONU descreveu o próximo ciclo de votações como “um teste decisivo para a consolidação dos ganhos democráticos”.

O dirigente apontou ainda que as mulheres continuam a ser discriminadas e marginalizadas nos processos políticos. Em muitos países da região, as candidatas representam menos de 15% dos parlamentares eleitos.

Chambas expressou preocupação com as alegações de violações de direitos humanos pelas forças de segurança de alguns países. O enviado também manifestou inquietação quanto ao reaparecimento de grupos de autodefesa, cujas ações estão alimentando tensões entre comunidades.

Fonte: ONU/Foto - Crédito: MINUSMA/Gema Cortes

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