Uso da força contra manifestantes palestinos em Gaza foi ‘totalmente desproporcional’, diz ONU

Notícia postada em 20/05/2018 14:36

Uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi encerrada nesta sexta-feira (18) com uma resolução dos Estados-membros para investigar semanas de violência na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, que deixou quase 100 palestinos mortos e milhares de feridos.

O rascunho da resolução pediu que o Conselho “investigue todas as alegadas violações e abusos da lei humanitária internacional e da lei de direitos humanos internacional” nos territórios palestinos ocupados e, particularmente, na Faixa de Gaza, desde 30 de março. A data marcou o início das manifestações na fronteira com Israel, denominadas “Grande Marcha do Retorno”.

Uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi encerrada nesta sexta-feira (18) com uma resolução dos Estados-membros para investigar semanas de violência na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, que deixou quase 100 palestinos mortos e milhares de feridos.

O rascunho da resolução pediu que o Conselho “investigue todas as alegadas violações e abusos da lei humanitária internacional e da lei de direitos humanos internacional” nos territórios palestinos ocupados e, particularmente, na Faixa de Gaza, desde 30 de março. A data marcou o início das manifestações na fronteira com Israel, denominadas “Grande Marcha do Retorno”.

A resolução foi adotada por 29 votos a favor, dois contrários e 14 abstenções. A iniciativa se segue a um pedido feito na terça-feira (15) pela Palestina e pelo Grupo de Estados Árabes.

Na véspera, 60 manifestantes em Gaza foram assassinados pelas forças israelenses, no dia mais mortífero no território desde as hostilidades de 2014.

De acordo com o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, que discursou ao Conselho, 89 palestinos foram assassinados durante os protestos, incluindo 12 crianças, e mais de 12 mil ficaram feridos; 2,5 mil por armas de fogo.

“Os palestinos têm exatamente os mesmos direitos humanos dos israelenses. Eles têm os mesmos direitos a viver de maneira segura em suas casas, em liberdade, com serviços e oportunidades adequados e essenciais”, disse o alto-comissário da ONU para os direitos humanos.

“E no que se refere a esse núcleo essencial de direitos devidos a todo ser humano, eles estão sendo sistematicamente privados”, continuou Zeid sobre os palestinos em Gaza. “Em essência, eles estão enjaulados em uma favela tóxica do nascimento até a morte; privados de dignidade; desumanizados ao ponto de parecer que as autoridades israelenses nem sequer consideram que esses homens e mulheres têm direitos, ou todas as razões, de protestar”.

Zeid disse que alguns manifestantes jogaram coquetéis Molotov e usaram estilingues para lançar pedras contra soldados israelenses. No entanto, afirmou que isso não justifica o uso de força letal, que pode ser uma violação da lei internacional.

Israel respondeu à sessão especial do Conselho de Direitos Humanos afirmando que a própria convocação da reunião era evidência de motivações políticas e de uma “obsessão anti-israelense”.

A embaixadora Aviva Raz Shechter, representante permanente de Israel na ONU, disse que o grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina na Cisjordânia ocupada “incitaram a população à violência”, ao colocar “o máximo de civis possível, incluindo mulheres, crianças e jornalistas, na linha de fogo”.

Sob as regras do Conselho de Direitos Humanos, uma sessão extraordinária só pode ser convocada pelos 47 Estados-membros do órgão; também precisa ter o apoio de ao menos um terço de seus membros. A sessão desta sexta-feira (18) foi a 28ª sessão especial do Conselho.

Fonte: ONU/ Foto: ONU/Elma Okic

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