Tombini: ajuste fiscal é robusto e inflação começa a cair em abril

Notícia postada em 24/03/2015 18:57

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (24), em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que uma política fiscal “bem calibrada” facilita o trabalho da instituição na execução da política monetária. Questionado por 18 senadores durante quatro horas, Tombini considerou o pacote do governo de “robusto” e disse que, quanto mais rapidamente ele for implementado, menor será o custo e melhores os resultados.

Presidida pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), a audiência é prevista no Regimento Interno do Senado e dá continuidade a uma série de debates sobre a crise econômica. No próximo dia 31, o convidado é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. No dia 7 de abril, devem falar os ministros da Previdência, Carlos Gabas, e do Trabalho, Manoel Dias.

Segundo o presidente do BC, o governo federal está propondo e adotando “amplo, profundo e consistente conjunto de medidas fiscais, que inclui contenção de despesas correntes e parafiscais, eliminação de subsídios, realinhamento de tarifas públicas, bem como medidas de cunho mais estrutural”. Os resultados, conforme prognóstico de Tombini, começarão a aparecer em abril, com queda no ritmo de alta dos preços, e se tornarão mais consistentes em 2016, quando ele prevê o retorno da inflação ao centro da meta, de 4,5%.

Estratégia

A defesa do ajuste foi feita em resposta aos senadores Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que colocaram em dúvida o receituário do Brasil contra a crise econômica. O senador pernambucano observou que a estratégia dos Estados Unidos, mais  expansionista do que a colocada em prática na Europa para enfrentar a crise financeira global, reduziu o desemprego e gera expectativa de recuperação plena da economia.

Vários senadores questionaram o presidente do Banco Central sobre a estratégia da equipe econômica para o combate à inflação, que tem resistido a medidas tradicionalmente adotadas, como a elevação das taxas de juros. Em resposta a Waldemir Moka (PMDB-MS), Tombini explicou que o BC trabalha para evitar que o impacto do realinhamento dos preços se espalhe pela economia.

José Serra (PSDB-SP) apontou “uma grande deformação na política de metas de inflação no Brasil”. Segundo o parlamentar, política de meta de inflação em geral pressupõe ajustes finos na taxa de juros.

–  No Brasil, são ajustes cavalares que têm implicações fiscais, como não têm praticamente em nenhum dos países civilizados do mundo. Quando se fala em subir juro, descer juro, é meio ponto ou 0,25 ponto. No Brasil, apenas nesses meses após a reeleição da presidente Dilma, a taxa de juros já foi elevada em 1,75 ponto percentual.

Câmbio

Serra e Tasso Jereissati (PSDB-CE) questionaram sobre possíveis prejuízos ao Banco Central decorrentes dos swaps cambiais (operação de cobertura de riscos adotada pelo governo para proteger empresas brasileiras da alta da moeda norte-americana). Tombini explicou que os swaps estão num valor de mais de R$ 110 bilhões, dos quais 80% entre as empresas não financeiras.

–  É um valor significativo para oferecer hedge ou proteção contra mudança abrupta. É para permitir que o setor privado consiga viver e não saia quebrando ao primeiro soluço do câmbio - disse.

Autonomia

Respondendo ao senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), Tombini disse que, se o Banco Central não estivesse trabalhando com autonomia operacional, ele jamais teria feito uma subida de juros de 375 pontos, “cujo impacto sobre a economia incidiria com força máxima no terceiro e no quarto trimestres de 2014”. Nessa época, a presidente Dilma Rousseff estava disputando a reeleição.

Questionado pelo senador Reguffe (PDT-DF),  Tombini disse que “um Banco Central não consegue operar um dia se não tiver autonomia operacional para fazê-lo”. O presidente do BC considerou normais as discussões de política macroeconômica com os ministério da Fazenda e do Planejamento e, “eventualmente, com a liderança máxima do país”, referindo-se à presidente Dilma Rousseff.

Superávit

A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) perguntou qual o impacto sobre a inflação de um eventual descumprimento da meta de superávit primário de 1,2% para este ano. Tombini respondeu que acredita no cumprimento da meta e citou, inclusive, avaliações externas da economia brasileira, em que “há uma confiança nessa reorientação da política macroeconômica, em particular da política fiscal, e isso já está sendo refletido na percepção daqueles que põem dinheiro no país”.

Em resposta à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), Tombini afirmou que o interesse dos investidores estrangeiros pelo Brasil continua. Segundo ele, no ano passado, ingressaram no país mais de US$ 60 bilhões. Para este ano, a previsão está em torno de US$ 65 bilhões.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Fonte: Agência Senado

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