Síria: continuidade do conflito tem enorme impacto sobre civis, diz ONU

Notícia postada em 28/04/2018 19:48

Apesar da exigência do Conselho de Segurança para o fim das hostilidades na Síria, civis no país devastado pela guerra continuam a sofrer com a intensa atividade militar de diferentes atores do conflito, informou o coordenador de ajuda de emergência das Nações Unidas, Mark Lowcock.

O pronunciamento ocorreu após a divulgação de um suposto ataque químico na cidade de Duma, no noroeste de Damasco, capital do país.

Apesar da exigência do Conselho de Segurança para o fim das hostilidades na Síria, civis no país devastado pela guerra continuam a sofrer com a intensa atividade militar de diferentes atores do conflito, informou o coordenador de ajuda de emergência das Nações Unidas, Mark Lowcock, na semana passada (17).

“Desde a aprovação da resolução 2401, o secretário-geral solicitou, em diversas ocasiões, sua implementação total”, declarou o coordenador, referindo-se ao texto do Conselho de Segurança adotado no final de fevereiro pedindo um cessar-fogo de 30 dias em toda a Síria.

“No entanto, em vez de reforçar a resolução deste Conselho, vimos atores desse conflito prosseguirem com intensa atividade militar, a um enorme custo para a população”, completou.

O pronunciamento ocorreu após a divulgação de um suposto ataque químico na cidade de Duma, no noroeste de Damasco, capital do país. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 70 pessoas morreram e cerca de 500 ficaram feridas.

Lowcock declarou que as agências da ONU e seus parceiros de assistência vêm prestando auxílio aos necessitados no país, mas a resposta continua sendo desafiada por diversos fatores, incluindo recursos severamente limitados.

“Não posso destacar de maneira suficiente o quão importante é a necessidade de sustentar e intensificar a resposta internacional”, destacou.

O coordenador também informou ao Conselho que cerca de 100 mil pessoas deslocadas retornaram para suas casas em Raqqa desde que forças do Estado Islâmico do Iraque e o Levante (também conhecido como ISIL/Da’esh) foram expulsas em outubro passado.

No entanto, as condições nesses locais ainda não são propícias para que os habitantes, sobretudo as crianças, retornem. A área possui grande presença de armamentos não detonados, dispositivos explosivos improvisados e restos de artefatos de guerra. Além disso, existe uma generalizada insegurança alimentar para os que retornam, além do fato que sistemas de saúde e educação se encontram praticamente em ruínas.

O Conselho de Segurança realizou uma reunião de emergência sobre a crise na Síria em 14 de abril, após o ataque aéreo coordenado pelos Estados Unidos, França e Reino Unido. O Conselho tentou estabelecer um novo mecanismo de investigação sobre o ataque. Porém, as três propostas, uma dos Estados Unidos e duas da Rússia, foram recusadas.

Foi debatido um esboço de resolução da Rússia condenando o ataque coordenado pelos três países mas apenas três países votaram a favor da proposição: Bolívia, China e Rússia.

Fonte: ONU/ Foto: UNICEF

Comente esta notícia