Síria: cessar-fogo pedido pelo Conselho de Segurança não ocorreu, alerta chefe da ONU

Notícia postada em 13/03/2018 06:43

No Conselho de Segurança, secretário-geral António Guterres avaliou implementação da resolução 2401, que pede cessar-fogo de 30 dias na Síria. Chefe da ONU informou que nenhum ponto da resolução foi cumprido totalmente.

Guterres disse que a ONU e os seus parceiros estão prontos para entregar ajuda humanitária, mas os objetivos não têm sido cumpridos devido à violência.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta segunda-feira (12) ao Conselho de Segurança que a resolução do órgão pedindo um cessar-fogo na Síria não tem sido cumprida.

A decisão, aprovada no último 24 de fevereiro por unanimidade, decretava “uma pausa humanitária de pelo menos 30 dias consecutivos em toda a Síria, para permitir a entrega de ajuda humanitária de forma segura, desimpedida, sustentável, e a retirada dos feridos e doentes graves”.

António Guterres explicou detalhadamente como a resolução não está sendo respeitada.

Segundo ele, “não houve cessar das hostilidades” e a entrega de ajuda humanitária não tem acontecido “de forma segura, desimpedida e sustentável”.

O chefe da ONU disse também que não foi levantado o cerco em zonas habitadas, como Ghouta Oriental, e que “nenhum doente ou ferido grave foi evacuado” até ao momento.

Guterres falou também sobre as negociações em andamento. O secretário-geral detalhou vários encontros e correspondência entre as partes envolvidas no conflito, incluindo o governo sírio, fações rebeldes, a ONU e a Rússia.

O chefe da ONU afirmou que ele e o seu enviado especial para o país, Staffan de Mistura, se mantiveram “informados de cada passo, oferecendo apoio e orientação para garantir a implementação da resolução”.

Ajuda humanitária

António Guterres disse que a ONU e os seus parceiros estão prontos para entregar ajuda humanitária, mas os objetivos não têm sido cumpridos devido à violência.

O secretário-geral detalhou o que foi feito nas últimas duas semanas. Em Afrin e Tell Refaat, a norte de Alepo, a ajuda chegou a 50 mil pessoas. Em Dar Al-Kabira, foram alcançadas 33,5 mil pessoas, mas “o governo sírio não permitiu a entrega de medicamentos essenciais como a insulina”.

Em Ghouta Oriental, a ajuda chegou a 27,5 mil pessoas, um terço do objetivo. Além disso, explicou Guterres, “a maioria do material médico foi removida pelas autoridades sírias”.

Guterres afirmou ainda que “a violência tornou esta operação extremamente perigosa, apesar das garantias dadas”. Numa das ocasiões, o pessoal teve de regressar a Damasco por causa de bombardeios.

Esperança

O secretário-geral elogiou ainda “os valentes trabalhadores humanitários que arriscam as suas vidas para entregar ajuda e proteção às pessoas que precisam”.

Segundo ele, “com todas estas dificuldades, a situação humanitária e de direitos humanos tornam-se mais desesperadoras a cada dia”.

Guterres se referiu também ao alegado uso de armas químicas.

O chefe da ONU disse que “há novas alegações perturbadoras de uso de gás de cloro” e que “mesmo que isso não seja possível de verificar, não pode ser ignorado”.

Guterres disse acreditar que “apesar das dificuldades, falta de confiança e desconfianças mútuas, ainda é possível implementar a resolução 2401”.

Fonte: ONU/Brasil (com informações da ONU News, de Nova Iorque)

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