Sessão comemorativa de Dia das Mulheres tem protesto contra tentativa de golpe e ameaça à democracia

Notícia postada em 08/03/2016 18:26

A defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff marcou vários discursos proferidos na sessão solene do Congresso Nacional destinada à comemoração do Dia Internacional Nacional da Mulher e à entrega do prêmio Bertha Lutz, ocorrida nesta terça-feira (8), no plenário do Senado. Durante a solenidade, deputadas e senadoras também relembraram as várias conquistas obtidas pelas mulheres nos governos de Lula e Dilma.

Para a deputada Moema Gramacho (PT-BA), uma das oradoras do evento, a tentativa de golpe contra a presidenta Dilma é o pior tipo de retrocesso para a luta das mulheres no País. “Quando a presidenta Dilma se elegeu e subiu a rampa do Palácio do Planalto, todas nós mulheres subimos com ela. Não podemos permitir que uma mulher que lutou contra a ditadura e que, diferentemente do que ocorreu em outras épocas, permitiu que investigações ocorressem, possa ser retirada a fórceps da presidência”, afirmou.

Na mesma linha, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) também qualificou a tentativa de impeachment como um golpe à democracia e um ataque à conquista das mulheres.

“Se não bastasse tantas tentativas de retrocessos, agora enfrentamos a pior de todas elas que é a ameaça à democracia, que está em risco na medida em que vemos florescer um caminho golpista que tenta afastar a primeira mulher eleita presidente desse País”, observou.
Ainda de acordo com a parlamentar, a tentativa de golpe “também desrespeita a constituição e a soberania popular”, ao desconsiderar o voto de milhões de mulheres que também votaram na presidenta Dilma.

A senadora Vanessa Graziotin (PC do B-AM) e a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) também condenaram a tentativa de golpe e manifestaram apoio à presidenta Dilma.

Durante a sessão solene Fátima Bezerra também listou alguns projetos considerados por ela retrocessos à causa das mulheres. Entre eles, o projeto de lei (PL 6583/13) do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que limita o conceito de família a homem e mulher, e o projeto de lei (PL 5069/13) de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que dificulta o acesso das vítimas de violência sexual ao aborto, em casos de estupro.

Conquistas- Apesar dos alertas contra a tentativa golpista de derrubada da presidenta Dilma, muitos avanços também foram comemorados durante a cerimônia. A senadora Fátima Bezerra citou entre eles a criação de estruturas administrativas e de políticas públicas específicas para as mulheres.

“Tivemos como conquistas nos últimos anos de governo de Lula e Dilma, a realização das conferências onde as mulheres foram ouvidas em suas reivindicações, e que culminaram em políticas públicas como o Programa Viver sem Violência, a implementação da Casa da Mulher Brasileira e do Disque 180, todos de combate à violência contra a mulher, além da sanção de leis como a Lei Maria da Penha e do Feminicídio”, ressaltou.

Diploma Bertha Lutz- Na solenidade de diplomação do prêmio Bertha Lutz foram agraciados com a homenagem a ex-ministra do STF, Ellen Gracie; a líder feminista e ex-diretora da CUT (AM), Lucia Antony; a ex-ministra da Igualdade Racial, Luiza de Bairros; a escritora Lya Luft; e o ministro do STF, Marco Aurélio Mello.

Fonte> PR na Câmara - por Héber Carvalho/Foto: Gustavo Bezerra

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