Salão de Paris será amostra do melhor que temos em nossa literatura

Notícia postada em 20/03/2015 09:00

"Hoje, não apenas os autores envolvidos com o setor do livro, mas toda a população brasileira compreende a importância de iniciativas como essa para tornar a literatura brasileira mais conhecida e apreciada em todo o mundo", afirma Guiomar Grammont. (Foto: Neno Vianna)

Os salões de livro funcionam como vitrine para obras e autores no exterior. Neste ano, o Brasil terá a oportunidade de promover sua literatura na 35º edição do Salão do livro de Paris. Pela segunda vez, ganha destaque no espaço como país homenageado. O evento, que ocorre de 20 a 23 de março na capital francesa, contará com delegação de 43 autores e autoras, além de extensa programação com palestras, exposição de livros e eventos culturais paralelos.

Em entrevista ao Ministério da Cultura (MinC), Guiomar Grammont, curadora da programação brasileira do Salão de Paris, explica a importância da participação do país no evento e fala sobre os principais destaques da programação.

"A promoção do livro e da literatura brasileira no exterior é essencial para o desenvolvimento de um maior intercâmbio científico e cultural, o que amplia as divisas do país, fortalece nossa moeda, e promove melhoria da qualidade de vida em todos os níveis", defende.

MinC- Qual é a sua expectativa em relação a participação brasileira no salão de Paris?

Guiomar- É um evento de alto nível, com discussões muito enriquecedoras, tanto para os autores quanto para o público. Tenho certeza de que diversas editoras se interessarão em adquirir direitos para publicação de livros de escritores brasileiros neste Salão e espero que sejam muito ampliadas as possibilidades de conhecimento da literatura e da produção intelectual brasileira como um todo, na França, a partir dessa experiência.

MinC- A senhora foi uma das responsáveis pela seleção dos 43 autores que irão ao Salão de Paris. Como foi essa escolha?

Guiomar- Em parceria com Leonardo Tonus, professor na Universidade de Sorbonne, procuramos realizar essa escolha, inicialmente, a partir da determinação estabelecida pelos organizadores do salão, de que os autores tivessem alguma publicação na França. A partir desse primeiro critério, buscamos respeitar ao máximo as diretrizes estabelecidas por nosso comitê.

Dessa forma, chegamos a um conjunto que representa, na medida do possível, as diferentes regiões do Brasil e as etnias que compõem o povo brasileiro, bem como conseguimos estabelecer um equilíbrio entre escritores novos e consagrados, gênero masculino e feminino, e gêneros literários. Tenho profunda admiração pela obra dos autores escolhidos. Penso que essas obras, de fato, representam uma parte do melhor que temos em nossa literatura.

MinC- Quais são os principais destaques da participação brasileira na programação do Salão? Há uma expectativa maior em relação a alguma atividade específica?

Guiomar- Algumas atividades, que correspondem ao interesse ou à curiosidade dos franceses, terão mais destaque, como as mesas sobre futebol ou sobre as populações indígenas do Brasil, mas vários autores brasileiros já são conhecidos e esperados pelo público francês.

MinC- Como será a participação brasileira nos eventos paralelos do Salão de Paris?

Guiomar- Penso que o evento de maior destaque será o lançamento da antologia de contos, poemas e ensaios da Academia Brasileira de Letras, na Maison d'Amérique Latine, seguido de um seminário na Sorbonne, mas teremos também uma exposição sobre Machado de Assis na sede da UNESCO, outra a respeito de Clarice Lispector, seminários sobre História do Brasil na Sorbonne e na Gulbenkian, além de atividades no Museu Quai Branly e na Maison de la Poésie.

Enfim, não apenas Paris, mas toda a França estará investida na homenagem ao Brasil, uma vez que os escritores foram convidados a participar de eventos também em outros lugares do país.
O mais importante é que as atividades paralelas foram construídas com a ajuda da maior parte dos professores que atuam hoje na França lecionando literatura brasileira, como Claudia Poncioni, Saulo Neiva, Michel Riaudel, Ilana Heineberg, Rita Olivièri-Godet, Conceição Coelho, além das historiadoras Laura de Mello e Souza e Junia Furtado. Tivemos um apoio extraordinário da Academia Brasileira de Letras e de várias instituições da França.

MinC- Esta é a segunda vez que o Brasil é país homenageado no Salão de Livro de Paris. Qual é a vantagem de ser o país homenageado? A primeira vez foi em 1998. De lá pra cá, quais são as principais mudanças na participação brasileira?

Guiomar- O interesse pela literatura nacional se ampliou muito no Brasil nos últimos anos, em consequência, sobretudo, do boom de eventos literários no país. Hoje, não apenas os autores envolvidos com o setor do livro, mas toda a população brasileira compreende a importância de iniciativas como essa para tornar a literatura brasileira mais conhecida e apreciada em todo o mundo.

A ampliação do conhecimento de nossa produção intelectual é estratégica para consolidar nossa imagem em outros países. Isso tende a estimular a exportação da produção em outros setores também. A promoção do livro e da literatura brasileira no exterior é essencial para o desenvolvimento de um maior intercâmbio científico e cultural, o que amplia as divisas do país, fortalece nossa moeda, e promove melhoria da qualidade de vida em todos os níveis.

Fonte: MinC

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