Revolucionárias da América Latina condenam golpe e defendem Dilma

Notícia postada em 06/06/2016 18:25

Mulheres lutadoras de 10 países declaram apoio à presidenta.

Ex-guerrilheiras que combateram as ditaduras na América Latina nos anos 60, 70 e 80 declararam pleno apoio e solidariedade à presidenta Dilma Rousseff e chamaram de golpe brando o governo de Michel Temer. Elas se manifestaram sobre o momento político brasileiro durante o encontro internacional “A Justa Rebeldia das Mulheres na América Latina e Caribe – As mulheres que não foram silenciadas”, que reuniu representantes de dez países do continente na última semana no ABC paulista.

“Dilma é uma mulher honrada, inteligente e de luta, afastada por um golpe de homens”, declarou na noite da última sexta-feira a advogada e integrante do Coletivo de Mulheres de São Paulo, Cida Costa, que militou na organização Aliança Libertadora Nacional (ALN). Cida, contemporânea de Dilma como presa política no presídio Tiradentes durante a ditadura militar no Brasil, completou afirmando que “vivemos tempos sombrios”.

O auditório lotado da Fundação Santo André respondeu aos gritos de “Fora, Temer”, slogan constante entre o público presente nos três dias de evento realizado pelo Instituto Centro de Memória e Atualidades, Secretarias de Direitos Humanos e Cultura de Paz e de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de Santo André (PT).

“É um golpe de estado técnico, parlamentar, cínico e machista contra a legítima presidenta do Brasil. Não podemos calar esse atropelo contra uma democracia estabelecida, que golpeia e impõe um absoluto retrocesso às políticas, leis e decisões a favor dos interesses das maiorias brasileiras que promoveram os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da companheira Dilma Rousseff”, defendeu a salvadorenha Rosa Marina Manzanares Lotze, âncora nas três rádios guerrilheiras mantidas pela Frente Farabundo Martí para a Liberação Nacional (FMLN) durante os 12 anos de conflito armado em El Salvador.

Outra representante da América Central e ex-combatente da Frente Sandinista de Liberação Nacional, a nicaraguense Myriam Perez, respaldou o apoio à presidenta: “Da parte do meu povo oferecemos um abraço fraterno e revolucionário a Dilma e estamos com ela até a vitória”, disse Myriam.

Outra duas ex-presas política brasileiras, Eleonora Menicucci, ministra de Dilma na Secretaria Nacional de Política para as Mulheres, que abriu os trabalhos no sábado, e Amelinha Teles, assessora da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, que integrou a mesa de encerramento do encontro também reafirmaram apoio a Dilma e destacaram os retrocessos gerados por um governo ilegítimo.

Além de contarem suas experiências nas organizações de resistência à repressão e aos regimes autoritários, as convidadas reforçaram a necessidade de organização e união das forças progressistas contra o avanço conservador em toda a América Latina.

“A mobilização dos trabalhadores e dos sindicatos, por exemplo, está sendo fundamental para reagirmos e pressionarmos o governo de Macri, que em quatro meses já deixou 140 mil desempregados”, afirmou a socióloga argentina Dinora Gebeninni, também ex-guerrilheira, que, como outras convidadas, chamou de golpe brando o governo golpista de Temer e outras tentativas de desestabilização democrática na América Latina. “Eles tentam revestir de legalidade golpes financiados pelos poderes econômicos e midiáticos”.

Apoiaram o evento os sindicatos dos Bancários do ABC, Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Metalúrgicos do ABC, Químicos do ABC, o de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Imobiliário de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, além da Associação de Anistiados do Grande ABC.

Agência PT - Foto: Rossini Handley

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