Parque Tecnológico Caboclo

Notícia postada em 05/10/2015 10:12

*J. R. López

Nenhuma nação do mundo transitou da pobreza ao estágio da prosperidade a não ser por meio de investimentos governamentais de vultosas somas destinadas a valorização do magistério, agregando avanços na grade curricular que adicionaram qualidade ao ensino-aprendizagem do sistema educacional do país, formando cidadãos com massa crítica, oferecendo-lhes condições de  continuidade dos estudos. Os tigres asiáticos não foram abortados, mas nasceram no berço de um planejamento estratégico de desenvolvimento de todo um processo que começou lá atrás, isto é, há 30 anos.

Existem milhares de escolas, no Brasil, que funcionam somente durante o dia, ficando suas instalações ociosas, durante o turno noturno e as salas, vazias. A realidade brasileira impõe que os pais dos estudantes também voltem a encontrar o “Caminho Suave” para não se perder mais...  É interessante colocar em prática a experiência que na mesma escola em que estudam os filhos, fossem oportunizadas aos pais a chance de concluir os estudos. Sem dúvidas que o sentimento de pertença da comunidade vai aumentar e a sociedade, talvez, compreenda definitivamente o papel que exerce a Escola.

Recentemente a sociedade amazonense foi pega de surpresa com a informação de que as matrículas na Fundação Nókia estão suspensas. Esta é uma escola de referência e está entre as melhores instituições educacionais do Norte e do Centro-Oeste, com uma infraestrutura que oferece cursos de Eletrônica, Informática, Mecatrônica, Telecomunicações e outros e que propagandeia: “70% das vagas destinadas a alunos da rede pública”. Obteve o 3º lugar no ENEM e foi destaque nas Olimpíadas Brasileira de Robótica; de Matemática; de Informática etc. Um dos selos ISO - International  Organization for Standartization tem bases éticas para as empresas e onde está a responsabilidade social da Microsoft que a encampou de outra multinacional???.

Os governantes, os empresários  e o mundo cão da política regional e brasileira só vão se dar conta na busca de uma alternativa ao PIM – Polo Industrial de Manaus, quando sua edição estiver próxima do fim e como as elites não regionalizaram, nas calhas dos rios, o que denominam desenvolvimento, mais uma vez só a capital é que vai “chorar lágrimas de crocodilo”, embora todo o Estado pague o pato pela inexistência de visão para tal. De quando em vez a OMC recebe uma queixa contra esta zona; enfrenta a concorrência das sul-americanas  e treme com criação de outras, dentro do próprio território.

O ditado popular diz que só nascem estadistas de 100 em 100 anos e os amazonenses estão esperando no tempo e no espaço, um que tenha formação humanística para administrar o Amazonas, não com uma ação de governo, mas com uma visão de estadista. Para esse fato ocorrer é necessária a formação política e sociológica da maioria da população amazonense e sensibilizá-la para escolher melhor seus quadros dirigentes. Atualmente 80% dos políticos que nos representam são forasteiros sem projetos que, em muitos casos, desconhecem os problemas do Estado e atuam conforme suas ambições pessoais.

Com dezenas de empresas de complexa e avançada tecnologia incentivadas, instaladas aqui, já era tempo de a classe empresarial e política ter articulado  as bases para a formação do Parque Tecnológico de Manaus a exemplo do que que costuraram as elites de Recife (PE), com o Parque Tecnológico Digital;  com a solidificação de um Parque Tecnológico de respeito, no Rio; o Parque Científico e Tecnológico da PUC, sediado em PTA(RS);  o Sapiens Parque, em Florianópolis; o Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí(MG) e os Polo Tecnológico de Campinas e o Parque Tecnológico de São José dos Campos(SP), todos em parcerias com as Universidades, com baseado no Vale do Silício, na Califórnia(EUA).

Milhares de empregos seriam criados em inúmeros segmentos industriais, estimulando a transformação social, econômica e cultural do Estado, assim como ocorreu em São Carlos, cidade considerada a capital da tecnologia brasileira, por sustentar um alto polo. Só que não serão necessários gastos com a atração de empresas, visto que as maiores já têm plantas no Distrito Industrial, mas é preciso criar a cultura da formação de empreendedores, nas incubadoras de negócios, de onde sairão os produtos dos talentos nacionais, colocando no mercado a expertise do desenvolvimento científico regional.

Notadamente que o polo deve estar ligado a um centro de pesquisa, onde a infraestrutura contemple laboratórios etc., em parcerias com empresas âncoras, baseadas em um ambiente colaborativo, que forneçam o estímulo necessário para que as pequenas também possam progredir e desenvolver-se no espírito high tech, dirigido por um núcleo de gestão cabocla que promova a mão de obra especializada e que contribua para alavancar o setor da economia criativa, no Estado, sensibilizando alguns empresários a instalar-se em municípios da região metropolitana, como Itacoatiara, que já recebeu até a graduação de Engenharia do Software, extinta pela própria UFAM - Universidade Federal do Amazonas.

O evento intitulado de Campus Party Brasil, em sua versão amazônica, é realizado em Manaus há alguns anos e envolvem os aficcionados das redes sociais da Internet, jovens que convivem com a tecnologia em novas plataformas digitais. Geralmente reúnem-se no espaço de uma semana em um ambiente que proporcione o estudo da inovação; a relação com as ciências;  a criatividade e a área do entretenimento digital. É a Aldeia Global, da qual se refere o filósofo Marshall McLuhan.

São organizados e assistem palestras, participando ativamente dos debates, discutindo as novas formas de inteligência artificial e afins, monitorados por investigadores de qualidade, engenheiros e especialistas. As empresas de atuação  da economia criativa estão focadas nos físicos, químicos, estudantes de engenharia elétrica, ciências da computação, engenheiros químicos etc. A indústria do setor está em processo de evolução constante, colocando no chão da fábrica o desenvolvimento científico e a inovação tecnológica. O contínuo lançamento de produtos de inovação tecnológica amazonense isolada como games, mouse, Apps de solução para o trânsito etc., já é um case de sucesso comprovado.

Quem é que vai ter a coragem e dar o primeiro passo na concretização do projeto de tornar realidade o Parque Tecnológico da Amazônia?

 

*É Jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

Foto: José Paulo Lacerda/ CNI

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