Organizações demandam investigação de abusos cometidos em protestos na Venezuela

Notícia postada em 10/03/2015 19:23

Trinta e três entidades do movimento social e de direitos humanos da América Latina assinam uma carta na qual manifestam sua preocupação pelo acirramento da tensão entre oposição e governo na Venezuela. Dirigida ao secretário geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Enesto Samper, à ministra de Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holgun, ao ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e ao ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, a carta manifesta a satisfação das organizações com o anúncio feito pela Unasul, de que estes chanceleres farão uma nova visita à Venezuela nos próximos dias. 

Para as entidades, muito preocupa o acirramento das tensões registrado nos últimos dias após a prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e da morte do estudante Kluivert Ferney Roa Nuñez, de 14 anos, pela força policial durante a manifestação no dia 24 de fevereiro último. 

"As organizações signatárias dessa carta lamentam profundamente a morte do estudante e lançam um apelo para que esse e outros abusos cometidos pelo Estado durante a repressão a protestos nos últimos meses sejam investigados e os autores, responsabilizados. É fundamental que não se repita a onda de violência ao redor dos protestos do ano passado, que resultou em 43 mortos e cerca de 3.300 detidos, entre fevereiro e junho de 20142”, assinalam as organizações. 

Elas esperam que Unasul possa contribuir para a volta do respeito pleno aos direitos humanos e ao restabelecimento do diálogo entre atores políticos e forças sociais venezuelanos. Solicitam que a anunciada Missão de Chanceleres da Unasul à Venezuela que faça um chamado público e enfático pelo respeito pleno aos direitos humanos e restabelecimento do diálogo. Além, demandam que a Missão reúna-se com os diferentes atores políticos e forças sociais; e apresente, após a conclusão da visita, uma lista de recomendações concretas e públicas, seguidas de um Plano de Trabalho com ações que a Unasul dará seguimento e que deverão ser cumpridas até as próximas eleições parlamentares. 

Ademais as organizações solicitam que os seguintes pontos sejam incorporados em um Plano de Trabalho posterior à visita: garantia do direito à manifestação, incluindo a proibição do uso abusivo da força; fim das detenções arbitrárias e do uso abusivo da prisão preventiva; fortalecimento da independência do Poder Judiciário; que a Defensoria do Povo exerça o papel de mediador; e cooperação com os sistemas regional e internacional de direitos humanos. 

Leia a carta na íntegra.

Fonte: Adital

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