Oposição não entende metáfora e faz 'carnaval' com declaração do presidente da CUT

Notícia postada em 15/08/2015 08:06

Setores da oposição vêm fazendo um verdadeiro “mimimi” a partir da declaração do presidente da CUT, Vagner Freitas, que durante uma solenidade com movimentos sociais no Palácio do Planalto, na última quinta-feira (14), deu um recado aos golpistas que insistem na tese do impeachment: “Nós somos trabalhadores, trabalhamos pela democracia. O que se vende é intolerância, o preconceito de classe contra nós. Somos defensores da unidade nacional. Isso implica ir para as ruas, entrincheirados, de armas na mão, se tentarem tirar a presidenta”, afirmou.

Na manhã desta sexta-feira (15), a senadora Ana Amélia (PP-RS), apoiadora das manifestações de domingo contra a presidenta, esperneou contra a fala do presidente da CUT: “Com um boné vermelho – o que é também é simbólico no gesto -, disse que, se for preciso, pegarão em armas. Não há espaço para ameaças”. A senadora do PP, porém, reconhece que Vagner Freitas já deixou claro que havia falado por metáfora. Mas, como essa ressalva não favorece o mimimi, emendou: “Não se interpreta mal aquilo que nosso sentimento expressa, e essa foi a cena que todos vimos ontem”, disse a senadora.

Coube à senadora petista Regina Sousa (PI) acalmar os temores de Ana Amélia, destacando que o presidente da CUT usou uma frase de efeito. “Se a polícia fizer uma batida hoje, na casa de todos os componentes da CUT, não acha nem um revólver de brinquedo”, garantiu Regina. E traduziu: “O que Vagner Freitas quis dizer é que os golpistas não vão conseguir derrubar a presidenta Dilma sem luta, sem que ela tenha defesa”.

Em tempo: a senadora Ana Amélia não comentou e nem condenou o ato de violência contra o Instituto Lula, atingido por uma bomba há uma semana (30/07).

Marcello Antunes

Leia também:

Nota do presidente da CUT, Vagner Freitas

Em discurso nesta quinta-feira, 13, no Palácio do Planalto, durante o evento "Diálogo com os Movimentos Sociais", falei que "somos todos construtores da democracia", alertei contra a onda de intolerância e a agenda de retrocesso e falei, também, em "ir para as ruas com armas nas mãos se tentarem derrubar Dilma".

A frase mais destacada da minha fala de quase oito minutos foi justamente a que citava as armas. Foi entendida como um chamado à violência, ao uso de armas de fogo. Qualquer sindicalista sabe que quando nos referimos a usar "todas as armas que forem necessárias", estamos nos referindo às armas da democracia, que é a luta por direitos, a mobilização organizada, democrática, com respeito às diferenças.

A CUT não pratica nem incita à violência. Muito pelo contrário, temos feito vários alertas contra a onda de ódio e intolerância que veem sendo diariamente estimuladas nos últimos meses pelos opositores do governo.

Nossas armas, todos sabem, são o poder de convencimento, a organização, a formação política, a mobilização, o debate de ideias, a ocupação dos espaços, seja as ruas, sejam os locais de trabalho, a greve geral, essa sim a nossa maior arma.

É absolutamente comum a maioria das pessoas usarem de retórica quando fazem discursos para enfatizar uma situação, em especial em momentos como este que estamos vivendo de crise política que afeta toda a sociedade.

E, para encerrar, gostaria de lembrar aos que tentam criminalizar minha fala que, historicamente, os trabalhadores não empunham armas de fogo, eles são, na verdade, as grandes vítimas deste tipo de violência. Não é essa a prática nem a realidade da CUT. Nosso caminho sempre foi o diálogo para resolução de conflitos. Não é isso que queremos para o Brasil. Estamos sempre prontos para o debate, a negociação e a busca de acordos que garantam os direitos da classe trabalhadora. Esse é o nosso papel.

Vagner Freitas

Presidente Nacional da CUT

Confira também manifesto das 12 entidades:

Chamado ao diálogo pela democracia, por crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento nacional:

“Brasil já deu mostras de que é um país capaz de promover equidade, bem-estar social e qualidade de vida para todos. Por isto, precisamos retomar rapidamente o investimento e a atividade produtiva para aumentar as oportunidades, o emprego, melhorar a distribuição da renda e as políticas sociais”.

“Tais desafios exigem, das forças vivas da sociedade brasileira, um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico. Mais do que isto, é necessário desmontar o cenário político em que prevalecem os intentos desestabilizadores, que têm sido utilizados como o condão para a aplicação de uma política econômica recessiva e orientada ao retrocesso político-institucional”.

“Assim sendo, reafirmamos que qualquer projeto de desenvolvimento nacional deve ser cimentado pelo fortalecimento das instituições e da democracia, sem descuidar do combate à corrupção, e tem que guiar-se pela superação das graves desigualdades econômicas, sociais e regionais, promovendo”:

Combate à inflação; Juros baixos; Aumento do investimento público e privado em infraestrutura econômica e social; Defesa do emprego e do poder de compra dos trabalhadores; Política cambial que incentive a atividade produtiva, especialmente a industrial; Investimentos na qualidade da educação; Ciência, tecnologia e inovação para agregar valor à produção de bens e serviços; Fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas; Consolidação do mercado interno de consumo de massa; Fortalecimento e estímulo da participação competitiva do Brasil; Modernização das instituições, das leis e do Estado.

“O momento exige diálogo, compromisso com o País, com a democracia e com a necessária afirmação de um projeto de desenvolvimento nacional ancorado na produção, em uma indústria forte, um setor de serviços dinâmico, um comércio vigoroso, uma agricultura pujante e em um Estado indutor e coordenador das estratégias de crescimento econômico e de desenvolvimento social”.

Por isto, os Sindicatos abaixo assinados declaram-se dispostos, e conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada, a restabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional”.

São Paulo, 14 de agosto de 2015.

Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes – Miguel Eduardo Torres, presidente

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Rafael Marques, presidente

Sindicato dos Comerciários de São Paulo – Ricardo Patah, presidente

Sindicato dos Empregados em Hotéis de São Paulo – Francisco Calazans Lacerda, presidente

Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo – Rene Vicente dos Santos, presidente

Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo – Antonio Neto, presidente

Sindicato dos Bancários de São Paulo – Juvandia Moreira Leite, presidenta

Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo – Antonio de Sousa Ramalho, presidente

Federação dos Empregados do Comércio do Estado de São Paulo – Luiz Carlos Motta, presidente

Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo – Osvaldo da Silva Bezerra, coordenador-geral

Sindicato dos Telefônicos de São Paulo – Almir Munhoz, presidente

Sindicato dos Empregados em Edifícios de São Paulo – Paulo Ferrari, presidente

Fonte e foto: PT Senado

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