ONU: mulheres e crianças sofrem violência sexual em centros de refugiados na Grécia

Notícia postada em 12/02/2018 20:05

Requerentes de refúgio relataram a ocorrência de assédio sexual e violência em alguns centros de recepção de refugiados nas ilhas gregas, onde tomar banho, mesmo durante o dia, pode ser perigoso, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta sexta-feira (9).

Mulheres citaram comportamento inapropriado, assédio sexual e tentativas de ataques sexuais como as formais mais comuns de violência.

“A situação é particularmente preocupante nos centros de recepção e identificação de Moria (Lesbos) e Vathy (Samos), onde milhares de refugiados permanecem em abrigos precários com segurança inadequada”, acrescentou.

Requerentes de refúgio relataram a ocorrência de assédio sexual e violência em alguns centros de recepção de refugiados nas ilhas gregas, onde tomar banho, mesmo durante o dia, pode ser perigoso, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta sexta-feira (9).

“Em 2017, o ACNUR recebeu informações de 622 sobreviventes de violência sexual e violência baseada em gênero nas ilhas gregas de Aegean, das quais ao menos 28% passaram por tais violências depois de chegar à Grécia”, disse a porta-voz do ACNUR, Cécile Pouilly, em coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.

Mulheres citaram comportamento inapropriado, assédio sexual e tentativas de ataques sexuais como as formais mais comuns de violência.

“A situação é particularmente preocupante nos centros de recepção e identificação de Moria (Lesbos) e Vathy (Samos), onde milhares de refugiados permanecem em abrigos precários com segurança inadequada”, acrescentou.

Cerca de 5,5 mil pessoas estão nesses centros, número que corresponde ao dobro de sua capacidade. Relatos de assédio sexual em Moria são particularmente frequentes.

“Nesses dois centros, os banheiros e as latrinas são áreas proibidas depois do anoitecer para mulheres e crianças, a menos que estejam acompanhadas. Mesmo tomar banho durante o dia pode ser perigoso. Em Moria, uma mulher disse às nossas equipes que não tomava banho havia dois meses por conta do medo.”

As tentativas de identificar e ajudar os sobreviventes são dificultadas pela relutância em reportar os ataques devido a discriminação, estigma e retaliações, desespero e falta de confiança em denunciar — incluindo ao serviço de saúde mental do ACNUR. Portanto, o número real de incidentes deve ser ainda maior.

Nas últimas semanas, as autoridades aceleraram as transferências, reduzindo levemente a superlotação, mas esta continua prejudicando as atividades de prevenção.

“A insegurança é outro problema”, disse a porta-voz. “Apesar de haver patrulhas policiais, estas permanecem insuficientes, particularmente à noite, e não cobrem todas as áreas adjacentes aos centros de refugiados, onde as pessoas ficam em tendas sem a presença da polícia”.

Tais condições também estão gerando frustração entre os refugiados, levando a um ambiente de tensão, o que eleva o risco de violência sexual e baseada em gênero.

Enquanto o ACNUR elogiou as medidas do governo de reduzir o risco de violência sexual e baseada em gênero, mais passos precisam ser tomados para proteger os refugiados, incluindo crianças, mulheres e homens.

Pouilly listou esses passos, que envolvem a separação por gênero — incluindo abrigos separados e áreas de banho seguras e bem iluminadas; melhores condições e serviços; maior presença policial, com mais oficiais; mais iluminação em áreas públicas; mais transferências para reduzir a superlotação; mais funcionários dedicados a lidar com o tema; e mais atividades de alerta.

“O ACNUR continuará trabalhando e permanece pronto para apoiar o governo a fortalecer sua resposta operacional e construção de capacidade para prevenir violência sexual e violência baseada em gênero e identificar os sobreviventes e enviá-los para serviços e abrigos apropriados”, disse Pouilly.

Fonte: ONU/Foto: ACNUR/Yorgos Kyvernitis

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