ONU alerta para aumento das mortes e deslocamentos de civis na Síria

Notícia postada em 13/01/2019 13:16

Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) expressou profunda preocupação nesta sexta-feira (11) com relatos de aumento de mortes de civis, incluindo mulheres e crianças, e deslocamento em larga escala em meio a renovados confrontos no enclave de Hajin, na província de Deir-ez-Zor, no leste da Síria.

Nos últimos seis meses, confrontos e ataques aéreos na região sudeste da província forçaram a fuga de cerca de 25 mil pessoas. Segundo a Agência da ONU para Refugiados, além das mulheres e crianças, muitas pessoas idosas estão em risco.

Estima-se que 2 mil pessoas ainda estão em Hajin. Pessoas que fugiram relataram condições cada vez mais desesperadoras, com serviços reduzidos e preços extremamente altos para alimentos básicos. Em comunicado, o ACNUR expressou preocupação com civis que continuam presos em áreas tomadas pelo grupo Estado Islâmico.

Famílias deslocadas que chegaram ao acampamento de Al Hol, no nordeste da Síria, relataram a funcionários do ACNUR que civis que tentam fugir enfrentam dificuldades e obstáculos para deixar zonas de conflito. A agência pediu para todas as partes, e àqueles que possuem influência, garantirem liberdade de movimento e passagem segura.

A maioria das pessoas deslocadas recentemente buscou abrigo no acampamento de Al Hol, aonde mais de 8.500 pessoas chegaram nas últimas cinco semanas. Algumas das pessoas deslocadas também estão no assentamento informal de Abu Khashab ou em comunidades locais. Muitas estão exaustas após fugirem a pé.

Segundo o ACNUR, algumas pessoas passaram quatro noites ou mais em deserto aberto, sob forte chuva e frio, quase sem pertences, alimentos ou água. Segundo relatos, a perigosa e difícil jornada e as condições dentro do enclave levaram à morte de seis crianças – todas com menos de um ano de idade. Tragicamente, a maior parte morreu após chegar a Al Hol.

Equipes médicas de emergência em Al Hol estão realizando exames imediatos no local, lidando com ferimentos, membros amputados e ulcerações produzidas pelo frio. Infecções respiratórias agudas, resfriados e gripes também são preocupações.

O ACNUR e parceiros estão em solo todos os dias para identificar necessidades e fornecer assistência de proteção, especialmente para crianças desacompanhadas ou separadas de seus pais e que precisam de assistência médica. Equipes da agência distribuem tendas, itens de alívio e assistência de inverno para recém-chegados.

“Reiteramos nossos pedidos para acesso humanitário desimpedido para sermos capazes de entregar assistência humanitária vital durante este duro período de inverno”, informou o ACNUR em comunicado.

Na província de Hassakeh, no assentamento improvisado de Al-Areesha, trabalhos para abrigar mais de 9.600 pessoas deslocadas foram afetados pelo nível crescente da água em um reservatório próximo. Mais de dois terços do acampamento estão debaixo d’água. Moradores estão se realocando para áreas mais altas do acampamento e agentes humanitários e voluntários realocaram mais de 1.200 tendas para locais seguros.

Enquanto isso, no Líbano, a tempestade Norma causou estragos entre comunidades libanesas e de refugiados nesta semana. Diversos dias de ventos e chuvas fortes e neve causaram inundações e danos em cidades e vilarejos no país, que hospeda quase 1 milhão de refugiados sírios. Mais de 360 locais, hospedando 11.300 refugiados, foram afetados no país.

Em todo o Líbano, o ACNUR está auxiliando 166 mil famílias vulneráveis como parte seu programa de assistência para o inverno. Suporte inclui proteção para abrigos, assim como assistência de 75 dólares ao mês para famílias durante cinco meses de frio para ajudar com custos adicionais, incluindo combustível para aquecimento, remédios e roupas.

Fonte: ONU Brasil/Foto: (Crédito - Foto: ACNUR/Hisham Arafat)

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