O anti-povo: Bolsonaro defende políticas que pioram vida dos brasileiros

Notícia postada em 04/10/2018 10:03

Mal a campanha eleitoral havia começado e a chapa do candidato Jair Bolsonaro começou a anunciar algumas das medidas que pretendia implementar no país, sempre em prejuízo do povo e a favor das elites. Com a proximidade das Eleições 2018, as propostas que mais prejudicam a população brasileira acabaram ganhando maior repercussão, o que fez o candidato do PSL e seus assessores diminuírem o número de declarações, sem, no entanto, negarem as políticas anti-povo.

Apesar disso, já está claro que um futuro governo de Bolsonaro, com Hamilton Mourão (PRTB) de vice e Paulo Guedes no Ministério da Fazenda, deve ser um desastre para a população, sobretudo para os trabalhadores e trabalhadoras.

Ataque à democracia

Em setembro de 2017, Mourão falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo País, caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições.

As afirmações foram feitas em palestra realizada na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília, após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda vez o presidente Michel Temer por participação em organização criminosa e obstrução de justiça.

Na ocasião, o vice de Bolsonaro disse ainda que “os Poderes terão que buscar uma solução, se não conseguirem, chegará a hora em que teremos que impor uma solução… e essa imposição não será fácil, ela trará problemas”. Mais tarde, ele tentou minimizar as declarações, afirmando que não pregava a intervenção militar.

Como se não bastasse a onda de violência alimentada por um discurso de ódio que tem chocado o mundo, Bolsonaro mostrou recentemente seu desprezo pelas instituições democráticas. Nesta sexta-feira (28), em entrevista exclusiva ao jornalista José Luiz Datena, o  candidato disse que não irá aceitar qualquer resultado das urnas que não o leve à Presidência da República. “Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição”.

Redução do bolsa-família

Em 2011, durante um discurso no Plenário da Câmara dos Deputados, Bolsonaro disse que os programas assistencialistas, como o Bolsa Família, acostumam o homem à ociosidade.  “O Bolsa Família nada mais é do que um projeto para tirar dinheiro de quem produz e dá-lo a quem se acomoda”, disse Bolsonaro.

No ano passado, o candidato do PSL criticou o programa durante visita a Barretos-SP, quando já postulava o posto de pré-candidato à Presidência.  “Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto”, declarou na ocasião.

Novamente, Hamilton Mourão admitiu a possibilidade de se diminuir o programa. O militar defendeu a meritocracia e disse que as pessoas devem ascender “por seus próprios méritos e não por esmolas”.

Manutenção da Reforma e Fim do 13º salário

Outra medida anti-povo de Bolsonaro que deve afetar todos os trabalhadores do Brasil é o fim do 13º salário. Em um intervalo menor que uma semana, Mourão atacou o 13º salário duas vezes. No dia 27 de setembro, o vice de Bolsonaro disse que o 13º salário é uma “jabuticaba brasileira”, uma “mochila nas costas dos empresários” e “uma visão social com o chapéu dos outros”.

Segundo Mourão, “se a gente arrecada 12, como pagamos 13? É complicado. É o único lugar em que a pessoa entra em férias e ganha mais”. Cinco dias depois, Mourão voltou a repetir seu desprezo pelo direito do trabalhador. No dia 2 de outubro, afirmou que por conta do 13º, “no final das contas, todos saímos prejudicados”.  De acordo com o jornal Estadão, a ideia de Mourão ganhou respaldo no núcleo de campanha.

Bolsonaro, inclusive, votou favorável pela Reforma Trabalhista, que retirou diversos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. O candidato do PSL já declarou que não vai mexer no texto da reforma, caso eleito. Ele ainda defende que as leis trabalhistas “devem beirar a informalidade”.

Para Bolsonaro, é preciso uma flexibilização ainda maior em relação à reforma aprovada pelo governo do ilegítimo Michel Temer (MDB) para combater o desemprego. “É melhor ter menos direito e emprego”, declarou em evento organizado pela ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro), no Rio.

Aumento de impostos para os mais pobres

O economista Paulo Guedes, responsável pelo projeto econômico de Bolsonaro, disse que aumentará a alíquota do Imposto de Renda (IR) para os mais pobres e reduzir a porcentagem dos que ganham mais. O eventual ministro da Fazenda do candidato do PSL tomará todas as decisões econômicas do país, uma vez que Bolsonaro admite que não entende do tema.

Com isso,  o “posto Ipiranga”, apelido que o próprio presidenciável deu ao seu guru econômico, vai criar uma taxa única de 20% no Imposto de Renda para todas as pessoas físicas ou jurídicas. Na prática, a proposta de Bolsonaro fará com que um trabalhador que ganha R$ 1.500, um que ganha R$ 8 mil ou um empresário que fatura R$ 150 mil por mês paguem o mesmo Imposto de Renda.

Atualmente no Brasil, quem ganha até R$ 1.903,98 está isento do Imposto de Renda. Quem ganha de R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65 paga 7,5% de IR. Para os brasileiros com salários de R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 a alíquota é de 15%. Já quem ganha de R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 o índice é de 22,5%. A partir deste valor, o IR é de 25,7%. Pela proposta de Bolsonaro todos passariam a ter uma cobrança de 20% de seus salários brutos, descontada mensalmente, e os mais pobres pagarão a diferença da redução da parcela mais rica.

PEC do Teto de Gastos, Educação e Saúde precárias

Seguindo à risca a cartilha do PSL, o partido mais leal ao golpista Temer, Bolsonaro foi um dos deputados que votou sim para a PEC do Teto dos Gastos Públicos, que congelou os investimentos públicos em Educação eSaúde por 20 anos. Na época, os seguidos do presidenciável ficaram indignados e criticaram o voto do deputado federal.

Como se não bastasse a medida, que precariza a vida de milhões de brasileiros, Paulo Guedes quer ir além. Defensor ferrenho do teto aprovado, o economista revelou que ele e Bolsonaro vão avançar nos cortes dos investimentos.  “Gosto [do Teto dos Gastos] e tem que aprofundar”, afirmou em entrevista ao Valor Econômico.

As medidas anti-povo do candidato não param por aí. Apesar de se intitular patriota, Bolsonaro atua para favorecer os interesses do capital estrangeiro.

Fonte: Agência PT/Foto - (Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Comente esta notícia