Medalhista de bronze em Londres-2012, o bolsista Rafael Silva comenta a preparação 2016

Notícia postada em 15/03/2015 21:27

A medalha olímpica foi resultado de muitos treinos, dedicação intensa e o sonho de estar nas paredes do Projeto Futuro, em São Paulo, onde Rafael Silva treinava e olhava, todos os dias, para fotos de judocas medalhistas. Faturado o bronze na edição britânica dos Jogos, em 2012, a meta estava alcançada. No entanto, o sonho do judoca peso pesado não foi encerrado na Europa. Ao contrário: “Você precisa continuar motivado. Se ganhou uma medalha, por que não ganhar mais uma?”, indaga o atleta.

Baby – como é conhecido o atleta no auge dos seus 2,03m – acredita que o principal fator em sua preparação para 2016 será a motivação pessoal. “Você tem que colocar um objetivo na cabeça e acordar todos os dias em busca dele. Quando você decide ser atleta olímpico e ir em busca de uma medalha, há muita gente envolvida com você nesse sonho. Por essas pessoas vale a pena acordar, se sacrificar e treinar”, analisa.

Os esforços na lista de Rafael não se restringem aos treinos exaustivos e à dieta regrada, a despeito da categoria de peso ilimitado. O maior adversário a ser derrubado é o francês Teddy Riner, heptacampeão mundial e a quem Rafael jamais venceu. A meta de Baby é que o Rio de Janeiro seja palco de uma quebra na tendência natural das coisas. “Se eu perder cem vezes dele, mas ganhar nas Olimpíadas, todo sacrifício terá valido a pena”, resume.

Segundo colocado no ranking mundial, atrás justamente de Riner, Rafael Silva falou ao brasil2016.gov.br sobre suas expectativas para o judô nas Olimpíadas e em como a torcida nacional poderá impulsionar os atletas.

O início

Comecei no judô em uma cidade do Paraná chamada Rolândia, próxima a Londrina. Iniciei por hobbie, como praticamente todo mundo. Fui gostando de competir e, quando estava lutando nos Jogos da Juventude do Brasil, um evento em Brasília, um professor de São Paulo me convidou a fazer um teste no Projeto Futuro, do governo do estado de São Paulo. Então decidi me mudar para lá. Comecei a fazer faculdade e estou lá até hoje. Eu tinha de 17 para 18 anos e comecei no judô com 15. Comecei tarde, mas acho que esse “tamanhão” me ajudou a me desenvolver bem no esporte.

A mudança

Meus pais me deixaram mudar desde que eu fizesse faculdade. Esse foi um dos pré-requisitos. Fui em busca do sonho de me tornar atleta profissional, de viver em prol do judô e competindo. Acho que foi uma decisão boa porque São Paulo é um grande pólo. Não tive a mesma sorte da Sarah (Menezes, -48kg) de estar morando no Piauí e ainda conseguir resultados expressivos. Acho que esse cenário deu uma mudada hoje, o esporte está mais espalhado, mas com boa qualidade.

A rotina

Eu treino de segunda a sábado, duas vezes por dia. É intenso. A vida de atleta é sacrificante, tem percalços, mas vale muito a pena.

O lema

Acho que o principal é motivação. Você tem que colocar um objetivo na cabeça e acordar todos os dias em busca dele. Fica mais fácil planejar isso degrau por degrau. Quando você decide ser um atleta olímpico e ir em busca de uma medalha, há muita gente envolvida com você nesse sonho. Por essas pessoas, também vale a pena você acordar, se sacrificar todos os dias e treinar. E também pelas pessoas que torcem por você. A gente recebe inúmeros recados, tem muita gente torcendo. Acho que por esse motivo vale a pena acordar todos os dias e treinar muito.

A dieta

Todo mundo acha que o peso pesado pode comer o que quiser, mas é bem diferente disso. Existe toda uma alimentação regrada. É claro que posso comer mais do que a Sarah, por exemplo, mas a gente fala que o carro não funciona bem com a gasolina adulterada. Tem que se alimentar bem e existe todo um planejamento nutricional com o preparador físico. Hoje temos uma equipe multidisciplinar que nos ajuda nesse sentido e ela define o que é melhor para o atleta. O esporte de alto rendimento acontece no detalhe. Todos os países treinam muito, mas aquele que treina com melhor qualidade, de forma mais detalhada, é o que vai conseguir subir no pódio.

O corpo para o Rio-2016

No fim de dezembro, eu estava com uma dieta bastante restrita de duas mil calorias. Estava comendo bem pouco para perder gordura. Quero ganhar massa magra já para este ciclo olímpico de 2016. Você tem que comer bem. É frango grelhado, nada de fritura, e chocolate não pode. Quando passamos por alguma etapa, temos uma recompensa. Neste ano, o Mundial é a minha principal competição, então depois dele poderei dar uma relaxada, fugir um pouco da dieta e ficar um tempo com a família. A gente usa esses objetivos para, depois deles, ter uma válvula de escape para poder descansar um pouco, mas até a competição é uma coisa sistemática.

O bronze em Londres-2012

A medalha foi a realização de um sonho. Você treina sua vida inteira pensando nessa competição. Eu treinava lá no projeto e tinha as imagens de todos os medalhistas na parede. Sempre foi minha motivação correr em busca de uma medalha olímpica. Quando consegui, foi uma satisfação para mim e para as pessoas que estavam comigo nessa caminhada.

O pós-Londres

Depois da medalha, você precisa continuar motivado. Se ganhou uma, por que não ganhar mais uma? Eu não tinha medalha de Mundial, então corri atrás dela (Rafael conquistou o bronze em Chelyabinsk, na Rússia, no ano passado). A Olimpíada é uma competição importante, que te certifica de tudo o que você fez, de que todo o seu treinamento valeu a pena. Conseguir a medalha te faz ser reconhecido e virar um exemplo para outros judocas. Há também o lado financeiro, que mudou bastante, mas acho que o principal foi esse resultado de um sacrifício muito grande que fiz na minha vida. Agora é treinar bastante, continuar focado, para tentar mais uma medalha.

A principal lembrança

O final da luta que vale medalha é o ponto mais emocionante da Olimpíada. Antes, você está numa tensão muito grande e, depois que conquista, fica aliviado. A cena do pódio é um negócio impressionante. Passa um filme na sua cabeça, de tudo que você viveu e das pessoas que te acompanharam.

O novo ciclo olímpico

O que penso é que o Rafael que for lutar em 2016 tem que estar diferente do que lutou em 2012. Tem que estar melhor. Se estiver igual, não vou conseguir um resultado bom. Em todos esses anos depois das Olimpíadas, eu me preparei degrau por degrau, em mundiais e todas as competições. O ano de 2015 é uma reta final para as Olimpíadas e estou pensando em evoluir a cada dia, a cada exercício. Acho que lá no final faz diferença essa evolução diária, de você tentar a perfeição todos os dias e se esforçar ao máximo pensando no objetivo principal, que são as Olimpíadas.

O algoz Teddy Riner

É um privilégio tê-lo na categoria. Ele evoluiu o nível da categoria. Buscando ganhar dele, todos melhoraram. Claro que penso nos outros adversários, mas ele é o meu principal, é o único de quem ainda não ganhei. É aquela pedra no sapato que incomoda, mas ao mesmo tempo me incentiva a treinar bastante e a me dedicar ao máximo para tentar ganhar dele. Acho que, se eu perder 100 vezes, mas ganhar nas Olimpíadas, todo o sacrifício terá valido a pena. Agora é não pensar no que ele tem de forte, mas no que eu tenho de forte e no que posso fazer para ganhar dele.

Os Jogos no Brasil

A gente lutou o Mundial de 2013 aqui no Rio e foi uma experiência muito boa, a torcida incentivou bastante. Vai ser a primeira experiência que o brasileiro vai ter de vivenciar o esporte olímpico de perto. O brasileiro é acolhedor e acho que vai comparecer e torcer bastante. A pressão eu deixo nos adversários! Acho que eles vão se sentir impressionados com a torcida. Isso, com certeza, vai ajudar os brasileiros.

O judô como carro-chefe

Eu tento me isolar um pouco dessa pressão da medalha, do que todo mundo está esperando. Acho que o atleta tem que estar preocupado com o treino e com o que ele vai fazer. Quanto mais coisas externas tiver para se preocupar, pior vai ser o desempenho. Ele vai se sentir pressionado e lutar mal. Temos que confiar no trabalho feito por toda a equipe e chegar às Olimpíadas com muita vontade de lutar, de “sair na porrada” mesmo, de ganhar. Se o trabalho for bem feito, com certeza vai vir resultado.

A Seleção de judô

O feminino evoluiu muito e os resultados dos últimos mundiais provam isso. O masculino também está evoluindo, com atletas novos, que estão rodando bastante. Eu acredito que, para as Olimpíadas, vai estar bem encaixado o nosso jogo. Os atletas vão estar bem preparados e acho que serão 14 chances de medalhas, com todas as categorias muito homogêneas e com bastante potencial.

O Brasil como sede

Acho que vai ser uma festa bonita. O Rio de Janeiro é um lugar maravilhoso, acho que todos de fora estão ansiosos para ver como serão os Jogos, como vai estar o espírito olímpico dentro do Rio. O país tem tudo para fazer excelentes Jogos Olímpicos, mostrar um bom resultado e atingir a meta de estar entre os 10 melhores do mundo. O Brasil está com tudo para chegar bem aos Jogos Olímpicos e trazer várias medalhas.

O auxílio da Bolsa Pódio

Todo o lado pessoal e financeiro influencia no desempenho. A Bolsa Pódio vem para tranquilizar o atleta e está incluída no Plano Brasil Medalhas, que nos beneficia em viagens, compras de material. Hoje se eu quiser pagar uma viagem de treinamento por minha conta, ou se tenho a geladeira cheia e as contas pagas, é porque o Bolsa Pódio está me ajudando com isso.

Ana Cláudia Felizola, – brasil2016.gov.br
Ascom – Ministério do Esporte

Comente esta notícia