Mães da Plaza de Mayo: de "loucas" ao reconhecimento que vai além das fronteiras

Notícia postada em 03/05/2015 11:03

As mulheres, que no dia 30 de abril de 1977 foram para a Praça de Maio, levando o pedido desesperado pelo desaparecimento de seus filhos, jamais imaginariam que se transformariam em um fenômeno inédito na história das lutas populares.

Promovidas por Azucena Villaflor de De Vincenti, as mulheres que entraram na vida pública há 38 anos, decidiram chegar até a Casa de Governo e perguntar para um dos donos da vida dos argentinos, o ditador Jorge Rafael Videla, onde estavam seus filhos sequestrados, depois do inútil percorrido por ministérios, igrejas, delegacias e tribunais.

Quando nada estava permitido, Azucena, Berta Braverman, Haydée Garcí­a Buelas, Marí­a Adela Gard de Antokoletz, Julia Gard, Marí­a Mercedes Gard e Cándida Gard, Delicia González, Pepa Garcí­a de Noia, Mirta Baravalle, Kety Neuhaus, Raquel Arcushin, Elida de Caimi, uma jovem que não disse seu nome, Marí­a Ponce de Bianco e Rosa Contreras, se encontraram naquele sábado sem saber que seriam protagonistas de um fenômeno inédito na história contemporânea e que não seriam recebidas.

Semearam o espírito coletivo de luta, quando o terrorismo de Estado começava a perseguir cientistas, sindicalistas, artistas, estudantes e qualquer militante que lutava por uma Pátria diferente.

No caminho ficaram Mães e Avós, algumas porque o terrorismo de Estado também as pegou e outras pelo tempo transcorrido. Bianco e Esther Ballestrino de Careaga, foram sequestradas da igreja da Santa Cruz no dia 8 de dezembro de 1977 por um grupo de operações da Marinha, comandado pelo repressor Alfredo Astiz.

Dois dias depois de ser comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos, De Vincenti foi sequestrada a uns passos da sua casa, quando as Mães tinham conseguido que o jornal La Nación publicasse um abaixo-assinado com os nomes de seus filhos sequestrados.

Livros, documentários e homenagens se multiplicam ano após ano pelo mundo para reconhecer a valentia e tenacidade de um pequeno grupo de mães que decidiram enfrentar os ditadores e qualquer força que quisesse afastá-las da procura de seus filhos presos e desaparecidos, com a enorme dignidade das pessoas comuns.

Fonte: Télam

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