Inpa reinaugura no aniversário da Instituição torre de observação e pesquisa da ZF-2

Notícia postada em 28/07/2017 18:01

Com mais de 40 metros de altura, a torre que passou por melhorias infraestruturais permite visão de 360 graus da floresta Amazônia. A partir de agora, a torre servirá às pesquisas e a observadores, como os de aves 

Base para os primeiros registros no Brasil de várias espécies de aves no dossel da floresta amazônica, a Torre de Observação e Pesquisa da ZF-2 foi reinaugurada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). A data marca o aniversário de 63 anos de implantação do Instituto, que é uma referência mundial em biologia tropical.

“Essa reinauguração da torre é cercada por simbolismo e felicidade, com um significado especial por ser no aniversário do Inpa, demonstrando um momento de renovação. Isso é bom não só para as coisas físicas, como também para nós e para as instituições”, disse França, destacando a importância da recuperação da torre em colaboração com o Japão.

A revitalização da mais antiga e robusta torre de pesquisa da Amazônia é a primeira obra de infraestrutura do Museu na Floresta, projeto que visa a conservação da biodiversidade na Amazônia com base em um novo conceito de museu, voltado a vivências práticas de como é possível viver em harmonia com a floresta. O projeto é uma parceria do Inpa com a Universidade de Kyoto, com o patrocínio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

Na reforma foram realizadas obras de pintura da estrutura, substituição de peças desgastadas e da escada antiga de 140 degraus que eram altos e pouco confortáveis por outra mais suave e acessível. Outra importante mudança foi a reconfiguração na plataforma superior para oferecer mais espaço livre com os equipamentos dispostos na parte externa da torre, para conciliar atividades de pesquisa e visitação, e ainda se abrigar em caso de chuva. Como bônus da obra, ainda ficou um abrigo usado para soldar o material antes da instalação. Ele servirá como acampamento para permitir ao pesquisador até “dormir aos pés da torre”.

“Por ser a primeira obra, as atividades do projeto começarão com a torre e faz todo o sentido por iniciar com o turismo científico e com as pesquisas com aves e flora ao redor. Esperamos que no próximo ano a gente consiga terminar a base do Cueiras, fazer a renovação no Bosque da Ciência e na exposição da Casa da Ciência para completar a rede que é o Museu na Floresta, projeto que será bem-sucedido”, disse o diretor da Wildlife Research Center (WRC) da Universidade de Kyoto e coordenador pelo lado japonês do Museu na Floresta.

Participaram ainda cerimônia, o cônsul geral do Japão no Amazonas, Shuji Goto,  pesquisadores e técnicos do Inpa e integrantes do Museu na Floresta. O projeto desenvolve outras atividades, como a soltura de peixe-boi. “Nosso próximo passo é a exposição da Casa da Ciência, no Bosque. Estamos muito animados com a modernização da exposição, que mostrará ao visitante a Amazônia e o trabalho que o Inpa faz”, contou a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, que é a coordenadora do Museu na Floresta lado brasileiro do projeto.

A reinauguração da torre é parte da programação de aniversário do Inpa que conta ainda com edição especial do projeto de socialização do conhecimento Circuito da Ciência, na manhã desta sexta-feira (28), e Virada Sustentável Manaus com cerca de 30 atividades educativas e culturais no fim de semana. E como presente ao visitante, de quinta-feira a domingo (27 a 30) o Bosque da Ciência estará com entrada gratuita. O bosque fica na Rua Bem Te Vi, s/nº, Petrópolis, e funciona de terça-feira a domingo. Segunda-feira é fechado para manutenção.

Torre

Construída na década de 1970 para propiciar medições meteorológicas, a torre da ZF-2 já serviu de base de pesquisas para diversos projetos do Inpa, nas áreas de fenologia de árvores, ciclos químicos atmosféricos, mudanças climáticas e de várias teses e dissertações de pós-graduação.  Com seus 40 metros de altura e plataforma de 36 metros quadrados, cercado por 360 graus de floresta intacta até o alcançar da vista, também se tornou destino preferido para a observação e fotografia de aves e para cursos sobre a floresta amazônica.

As obras na torre duraram quatro meses e agora será possível que mais pesquisas sejam realizadas no dossel da floresta e que exista maior interação com o público, por meio do turismo científico e da vertente educacional. A torre está localizada no Km 14 do ramal ZF-2, com entrada na altura do Km 934 (antigo Km 50) da BR-174 (Manaus-Boa Vista).

“O primeiro registro para o Brasil de várias espécies de aves veio dessa torre, nos primeiros tempos. As pessoas começaram a explorar o dossel a partir daqui. Os primeiros estudos da avifauna foram feitos dessa torre”, revela o pesquisador do Inpa, o ornitólogo Mario Cohn-Haft, entusiasta da revitalização e dos novos usos da torre.

Para Cohn-Haft, agora será possível ter grupos regulares vendo e apreciando a floresta de cima para baixo. “E isso acontecerá não só como um modo de divulgar a floresta amazônica, de ampliar o alcance de nossas pesquisas, mas também de envolver visitantes com um turismo educativo que se for estruturado pode até virar uma fonte de arrecadação para manutenção da torre e estruturação das atividades”, conta.

Por se tratar de uma área de pesquisa, a princípio apenas pesquisadores e observadores de aves utilizarão a torre, com as devidas autorizações da Divisão de Suporte às Estações e Reservas (Diser) do Inpa. A política de visitação da torre ainda será regulamentada. Ainda este ano deve acontecer um evento de Observação de Pássaros no local.

“Nossa visão é que a visitação seja ilimitada, que qualquer pessoa interessada possa vir e conhecer a floresta daqui de cima. Uma das coisas mais maravilhosas é que não se vê um único sinal de presença humana fora da torre, só a mata 360 graus. Na direção oeste, por exemplo, você vai dois mil quilômetros sem encontrar nada de gente até bater no pé dos Andes, na Colômbia”, contou Cohn-Haft, que é integrante do Museu na Floresta.

 Fonte: Inpa - por Cimone Barros (texto e foto) – Ascom Inpa

 

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