Inpa faz registro inédito de filhote de gavião-real em área de Mata Atlântica na Bahia

Notícia postada em 09/04/2016 22:10

Um ninho com filhote de harpia, mais conhecido como gavião-real, foi registrado pela primeira vez na Mata Atlântica. A descoberta foi feita no Parque Nacional do Pau Brasil, na Bahia, por uma equipe do projeto Harpia na Mata Atlântica, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) numa parceria com a Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel. Considerada a maior ave de rapina brasileira, a harpia é ameaçada de extinção, na categoria vulnerável. Os pesquisadores demoraram três meses para localizar o filhote, que havia sido fotografado nas estradas do parque. O ninho estava num embiruçu, a 35 metros de altura, e o animal tem quase um ano de vida.

"O registro é inédito para um ninho com filhote, ou seja, foi encontrado o território de um casal silvestre em plena reprodução", disse a pesquisadora Tânia Sanaiotti. "O acompanhamento deste ninho permitirá aos pesquisadores ampliar o conhecimento da espécie e entender mais sobre a capacidade de suporte de harpias no Parque Nacional do Pau Brasil, que é uma área de Mata Atlântica de 19 mil hectares. Tudo para contribuir ainda mais com o programa de conservação da espécie", explicou.

Pesquisadora do Inpa, Tânia Sanaiotti coordena o Programa de Conservação do Gavião-real, que combina a colaboração com as comunidades e monitoramento por satélite dos animais na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal. "A iniciativa inclui também o estudo da variabilidade genética, a reintegração de exemplares resgatados à natureza, além de programas de educação ambiental voltado para escolas e comunidades do entorno", acrescentou.

Segundo a pesquisadora, a região chamada de Costa do Descobrimento inclui os maiores remanescentes de Mata Atlântica do sul da Bahia e Espírito Santo. As Unidades de Conservação que protegem estes remanescentes são parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1999.

Pesquisa realizada no Inpa revelou que um casal de harpia mantém o filhote sob seu cuidado durante um longo período, podendo chegar a dois anos. Durante o primeiro ano, eles voam em uma área de 700 metros de raio do ninho, desenvolvendo ali suas habilidades de voo e caça. "Por isso é importante conservar a floresta no entorno do ninho, fiscalizar a caça dentro da Unidade de Conservação e sensibilizar as comunidades do entorno sobre a importância da harpia e das florestas", ressaltou pesquisadora em ecologia Helena Aguiar.

Reabilitação

Pelo Programa de Conservação do Gavião-real, três harpias já foram reintegradas à natureza no Parque Nacional do Pau Brasil. A última soltura foi feita há um ano, depois que uma ave resgatada no entorno do parque passou três anos em reabilitação. De acordo com a pesquisadora Tânia Sanaiotti, somente na Amazônia, duas harpias são resgatadas por ano, em média. Antes da soltura, os animais recebem equipamentos que permitem o monitoramento. O rastreamento é realizado por meio de um transmissor via satélite e outro VHF. A harpia também recebeu anéis de identificação do Centro Médico Veterinário. "Nestes 14 meses ela deslocou-se cerca de oito quilômetros, ocupando nos últimos meses uma região distante dos ninhos conhecidos", contou a pesquisadora Tânia Sanaiotti.

Segundo ela, o monitoramento ajuda a entender a dinâmica territorial do gavião-real. "Esses deslocamentos pelo parque indicam que ela está encontrando alimento dentro da área do parque, um bom indicador da boa qualidade de suas florestas. O desafio é que, muitas vezes, eles vão além da área protegida, seja por medo ou para alimentação, e assim se expõem ao risco de serem caçados", destacou.

 

Fonte: Inpa - Crédito: Divulgação / Inpa

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