Imprensa internacional repercute áudios que comprovam conspiração pró-golpe

Notícia postada em 24/05/2016 17:56

Para boa parte da imprensa internacional, a divulgação do áudio com as conversas entre o ministro Romero Jucá (PMDB-RR) o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado reforça a tese do governo afastado de que o processo de impeachment de Dilma Rousseff teria sido arquitetado para barrar as investigações da Operação Lava Jato.

Os jornais britânicos “The Guardian” e “Financial Times”, assim como o americano “New York Times”, o alemão “Deutsche Welle” e o argentino “Página 12″ afirmaram que essa é a primeira grande crise do governo Temer e enfatizam os indícios de conspiração contra a presidenta eleita Dilma Rousseff como artífice para abafar mais facilmente denúncias de corrupção contra empresários e políticos.

O jornal britânico “The Guardian” repercutiu na segunda-feira (23) a notícia sobre as gravações que indicam uma conspiração para retirar a presidente Dilma Rousseff. O afastamento faria parte do plano para estancar as investigações da operação Lava Jato.

O jornal argentino Página 12 publicou também na segunda-feira, na sua versão impressa, nota em que destaca que foram necessários apenas onze dias para que acontecesse o primeiro grande escândalo do governo interino do vice-presidente em exercício Michel Temer. Intitulado “Confissões de um golpista“,artigo refere-se ao vazamento de áudios de conversas entre o senador e ex-ministro do planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

O também britânico “Financial Times“ disse que a saída de Jucá pode prejudicar o governo Temer, “bem quando ele está tentando lançar um plano econômico ambicioso que visa equilibrar as contas do Brasil e lançar as bases para uma recuperação econômica.”

Já o americano “The New York Times” afirma em nota que as transcrições sugerem um plano por trás do esforço de afastar a presidente do Brasil. “O presidente interino do Brasil, Michel Temer, sofreu um grande revés em sua campanha para ‘conquistar’ o país”, devido ao surgimento de gravações que sugerem “que um de seus ministros tramou para parar a investigação na Petrobras ao buscar o impeachment de Dilma Rousseff”, constata.

Para o jornal, fica muito claro que Dilma tinha que ser afastada para possibilitar uma negociação que interrompesse a investigação da Lava Jato. E afirma: “Foi Jucá quem comandou o movimento decisivo para a movimentação da engrenagem que permitiu a votação na Câmara, o desembarque do PMDB”.

O jornal alemão “Deutsche Welle” definiu como “a primeira grande bomba do governo Temer” a gravação que mostra Romero Jucá, homem forte do presidente interino, sugerindo um pacto para frear a operação Lava Jato. “Gravação eleva desconfiança sobre intenções do governo em relação à operação”, reforça.

Segundo o periódico, “o episódio envolvendo Jucá também ocorre em um momento delicado para Temer, que tenta aprovar reformas econômicas e garantir um bom relacionamento com o Congresso”. “Considerado um negociador habilidoso, Jucá recebeu o ministério com a missão de encaminhar projetos do governo para melhorar as finanças públicas e aliviar a crise”, completa.

Em outro trecho da matéria do DW, o analista político francês Garpard Estrada avalia que o novo episódio explicita que o “impeachment não resolveu nada”. “A crise política continua. Fica claro que o problema não era só a corrupção do PT, mas o esgotamento de todo o sistema e a relação entre dinheiro e política. O Executivo de Temer é tão frágil como o de Dilma. Ele está dependente de pessoas como Jucá e precisa lidar com um Congresso fortalecido que quer enterrar a Lava Jato”, diz o especialista.

Portal do PT

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