Imagens e fragmentos revelam passado de Belém em exposição

Notícia postada em 14/01/2017 20:10

Imagens, poesia e fragmentos da cidade são elementos que compõem o painel da exposição “Olhares... 401 anos de Belém”, que reúne uma mostra do acervo das coleções museológicas do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIM) da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult). Essa viagem pela memória urbana de Belém pode ser feita na Galeria Fidanza, no Museu de Arte Sacra, no bairro da Cidade Velha.

A exposição apresenta uma paisagem-memória da cidade em seu aniversário, através de aproximadamente 130 peças, entre fotografias, gravuras e fragmentos de construção de edificações antigas que estão ou estiveram presentes no espaço público. A maioria dessas peças é composta por doações de particulares, que hoje se encontra salvaguardada nos museus preservando memória urbana de Belém. A mostra compartilha peças dos acervos do Museu do Estado do Pará, do Museu do Forte do Presépio, do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e do Museu de Arte Sacra, o que favorece a acessibilidade do público às várias tipologias de coleções que estão nos museus da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).

São destaques da exposição “Olhares... 401 anos de Belém”, desenhos e gravuras panorâmicas de Belém do século XIX; coleção de fotografias das décadas de 70 e 80 do século XX de fachadas de casas e casarões de Belém, fragmentos de construção de edificações antigas que já foram demolidas e livros para consulta sobre Belém antiga.

Dayseane Ferraz, diretora do Museu da Imagem e do Som, ressalta a importância de preservar a memória nos recortes feitos pela curadoria: “Trazemos Belém do século passado numa linha de tempo até os anos de 70 e 80, a partir a partir de doações feitas por particulares, inclusive de autores desconhecidos, com o objetivo de construir um painel capaz de valorizar o passado de uma cidade que desapareceu e se descaracterizou ao longo da sua história. Havia uma Belém que agora é uma cidade invisível, mas que pode ser reconstituída através desses fragmentos".

A pesquisadora e professora aposentada da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Pará, Carmen Cal, ex-diretora do Sistema Integrado de Museus e Memoriais, doou documentos e fotografias que reuniu a partir de trabalhos feitos com alunos da faculdade e que constituem um material importante para olhar uma Belém do passado. “Reconstruir é difícil”, diz a pesquisadora, que desde o tempo das atividades acadêmicas esteve ligada à história urbana local. “O trabalho que fiz sobre a arquitetura histórica como atividade acadêmica dos meus alunos, com pesquisa documental e fotográfica – e aqui vale ressaltar que parte do acervo fotográfico tem a assinatura dos meus alunos dessa época”, conta Carmen Cal, que começou a se dedicar à história urbana de Belém a partir do ano de 1900.

Na exposição podem ser vistas fotos de platibandas de casas antigas e chalés, pois o foco eram as residências. Muitas edificações foram feitas a partir de catálogos europeus, que traziam a atmosfera de outro continente para uma região tropical. “Grande parte das casas desapareceu parcialmente ou integralmente, como no bairro Cidade Velha e casas que foram tão descaracterizadas nessa corrente das intervenções urbanas que não adianta restaurá-las”, avalia Carmen Cal.

O poder da novidade e do novo pode também ser simbolizado pela demolição produzida pela força do dinheiro, que ignora o passado e que pode ser contada por fragmentos da história das cidades. São fragmentos que contém história como os da Coleção Motoki, formada pelo acervo doado pelo imigrante japonês Kenichiro Motoki ao Museu do Estado do Pará. Na exposição, o visitante conhecerá objetos e fragmentos de edificações do período de 1960 e 1970, que eram lembranças da cidade recolhidas pelo demolidor com espírito de colecionador.

Serviço:
A exposição “Olhares... 401 anos de Belém” está aberta a visitação na Galeria Fidanza, na Praça Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha, durante todo o mês de janeiro, no horário de funcionamento do Museu de Arte Sacra. De terça a sexta, das 10h às 16h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h.

Fonte: Agência Pará

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