Exportações e inflação apontam novo equilíbrio da economia

Notícia postada em 06/05/2016 18:36

Depois de ajustes promovidos pelo Ministério da Fazenda em 2015, a economia brasileira começa a dar sinais de um novo equilíbrio macroeconômico. Dois fatores apontam para isso: os preços em desaceleração e as exportações em alta.

Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou os dados da inflação oficial para o mês de abril. No mês passado, os preços subiram 0,61%. Foi o menor percentual para o mês desde 2013. De janeiro a abril, o IPCA foi de 3,25%, uma queda expressiva em relação aos 4,56% registrados em igual período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o índice foi de 9,28%, também abaixo dos 9,39% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.

Medidas como cortes nos gastos do governo em 2015 e a redução na conta de luz são algumas das causas para esse resultado.

O mês também registrou o maior superavit na balança comercial para abril desde 1989, de  US$ 4,8 bilhões. A balança comercial mede a diferença entre exportações e importações do Brasil. Se as exportações ultrapassam as importações, o país registra superavit. Caso contrário, ele é deficitário.

Um superavit comercial é positivo porque o país está vendendo mais do que comprando, ou seja, é credor e não devedor em relação ao mundo, reduzindo a dependência do capital internacional. Em abril, as exportações cresceram 2,5%, e as importações caíram 28,3%. 

Segundo Daniela Prates, professora do departamento de Economia da Unicamp, esses dois dados revelam que a economia já mostra sinais de que há um processo de recuperação em curso. Outro ponto que tem ajudado o país foi uma melhora no preço internacional das commodities (produtos brutos como minério de ferro ou soja, por exemplo).

Já a balança comercial favorável é fruto do novo patamar da taxa de câmbio. Nos últimos dois anos, a moeda brasileira foi depreciada, isso é, se desvalorizou. Para alguns economistas, como o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, a desvalorização do real é benéfica para a economia porque torna o país mais competitivo internacionalmente, e possibilita a recuperação de setores estratégicos como a indústria.

O dólar mais alto faz com que os produtos produzidos nacionalmente fiquem relativamente mais baratos lá fora. Ou seja, é mais barato produzir no Brasil.

Risco Temer
Segundo alguns economistas, um governo de Michel Temer, caso o golpe se consolide, poderia por em risco esse novo equilíbrio.

Para Bresser-Pereira, o vice-presidente dá sinais de que poderia utilizar a apreciação do real em sua gestão econômica, o que colocaria a perder todo ajuste possibilitado pelo dólar em novo patamar.A opinião é partilhada pelo economista da Unicamp Guilherme Mello.  Os dois economistas participaram do seminário “Rumos da Economia”, promovido pela revista Brasileiros.

Bresser-Pereira afirmou estar pessimista com o futuro do país caso o impeachment passe pelo Senado. “Eu não espero nada do  governo Temer. Eles não vão retomar o crescimento na economia”, afirmou.

Para Mello, o projeto de Temer para o país, intitulado “Uma Ponte para o Futuro” nunca passaria pelo crivo de uma eleições e só poderia ser implantado em um governo não eleito como seria o caso de um eventual governo Temer. “Vai contra o que o povo deseja”, afirmou ele.

onter: Agência PT - por Clara Roman

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