Equipes da ONU chegam às áreas mais afetadas por terremoto seguido de tsunami na Indonésia

Notícia postada em 03/10/2018 12:06

Quatro dias depois de um terremoto seguido de tsunami ocorrer na ilha indonésia de Sulawesi, agências da ONU e parceiros alertaram nesta terça-feira (2) que algumas comunidades ainda precisam ser alcançadas, e que o número de mortos pode aumentar, à medida que a escala da destruição se torna mais evidente.

“O governo da Indonésia confirmou que 1.234 pessoas morreram após o terremoto e o tsunami em Sulawesi”, disse Jens Laerke, do escritório de coordenação humanitária da ONU (OCHA), a jornalistas em Genebra.

Quatro dias depois de um terremoto seguido de tsunami ocorrer na ilha indonésia de Sulawesi, agências da ONU e parceiros alertaram nesta terça-feira (2) que algumas comunidades ainda precisam ser alcançadas, e que o número de mortos pode aumentar, à medida que a escala da destruição se torna mais evidente.

“O governo da Indonésia confirmou que 1.234 pessoas morreram após o terremoto e o tsunami em Sulawesi”, disse Jens Laerke, do escritório de coordenação humanitária da ONU (OCHA), a jornalistas em Genebra.

“Cerca de 800 pessoas ficaram gravemente feridas e quase 100 ainda estão desaparecidas. É provável que o número de vítimas aumente à medida que mais áreas se tornem acessíveis e o governo realize mais avaliações.”

Em uma igreja destruída no distrito de Sigi Biromaru, ao sul da cidade de Palu, equipes de resgate descreveram dificuldades para recuperar os corpos de mais de 30 jovens de um grupo de estudos bíblicos.

“As equipes levaram uma hora e meia para retirar cada um dos corpos e levá-los para as ambulâncias próximas, tendo que atravessar lama incrivelmente profunda”, disse Matthew Cochrane, porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

“O sentimento das equipes que trabalham lá é de verdadeira frustração”, disse ele, acrescentando que “ainda há áreas bastante afetadas que não foram alcançadas corretamente, mas as equipes estão pressionando, estão fazendo o que podem”.

Agências da ONU respondem ao desastre

Agências da ONU e parceiros já responderam aos pedidos de assistência do governo, mas o acesso ainda é difícil nas áreas costeiras e centrais de Sulawesi, onde a escala completa dos danos é desconhecida.

Como parte da resposta internacional, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) confirmou que está em contato próximo com as autoridades desde a última sexta-feira (28), quando o desastre aconteceu.

O armazém humanitário do PMA em Subang, na Malásia, também está em “espera” para liberar suprimentos de emergência, disse o porta-voz Herve Verhoosel.

“Oficiais de logística do PMA chegaram a Sulawesi com um comboio do governo e estão assessorando as autoridades em operações logísticas”, explicou. “A situação é difícil, com escassez de combustível, danos a estradas, infraestrutura marítima e aeroportos afetando o trabalho. As telecomunicações são intermitentes”.

O potencial impacto sobre os jovens é particularmente preocupante, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com mais de 40% dos menores de 5 anos em Sulawesi Central já desnutridos.

O fato de que apenas 33% dos nascimentos estejam registrados na área também é um obstáculo potencial para reunir menores desacompanhados com suas famílias, disse o porta-voz do UNICEF, Christophe Boulierac.

“Em Sulawesi Central, temos preocupações não apenas com a segurança das crianças em Palu, mas também na cidade de Dongala e outras comunidades ainda isoladas da ajuda humanitária”, disse ele, acrescentando que o impacto total do terremoto e do tsunami ainda não está claro.

Prioridades imediatas

As prioridades imediatas do governo incluem a retirada de pessoas das áreas mais atingidas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mas os transportes continuam difíceis e as estradas perigosas, disse o porta-voz Paul Dillon.

Mais cedo nesta terça-feira, o chefe da missão da OIM na Indonésia, Mark Getchell, debateu a situação com as autoridades, acrescentou Dillon.

A ajuda poderia ser entregue através de uma “ponte humanitária terrestre” de Jacarta a Sulawesi, disse Dillon, observando que a ideia foi implementada após o tsunami de 2004 no Oceano Índico.

Entregar ajuda a Sulawesi através do porto de Palu, no entanto, continua sendo um grande desafio, disse o porta-voz da OIM.

“O porto em si não foi danificado, (mas) os guindastes e pórticos e o equipamento que você usaria para remover mercadorias das embarcações foram seriamente danificados”, disse ele, acrescentando que em alguns casos eles foram “completamente derrubados, e o acesso para o porto em si é muito difícil”.

Embora a prioridade seja alcançar os sobreviventes, os danos à infraestrutura básica e a falta de água limpa também representam uma ameaça significativa à saúde.

Mesmo antes do desastre, Dongala e Palu registraram casos de doenças diarreicas e infecções respiratórias agudas, disse Tarik Jasarevic, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O que podemos ver como sempre neste tipo de situação são problemas adicionais, além daqueles que já foram relatados como um grande problema de saúde”, disse ele. “Obviamente, a falta de abrigo e instalações de água e saneamento podem levar a surtos de diarreia e outras doenças transmissíveis”.

O funcionário da OMS observou que uma avaliação inicial feita por autoridades indonésias indica que um hospital sofreu danos, enquanto outros centros de saúde estão sendo avaliados.

Em coordenação com o centro de crise do Ministério da Saúde, a agência da ONU também está se preparando para oferecer equipes médicas registradas, acrescentou Jasarevic.

Resposta do governo da Indonésia

A coordenadora-residente da ONU na Indonésia, Anita Nirody, disse em comunicado que a resposta ao terremoto e tsunami estava sendo coordenada pelo governo e pelo conselho nacional de gestão de desastres e pela agência regional de gestão de desastres (BPBD), sob a liderança geral do ministro-coordenador para Assuntos Políticos e de Segurança.

Ela acrescentou que o governo “tem experiência e capacidade significativas para gerir desastres naturais, mas dada a escala e a complexidade desta emergência combinada com a resposta às recentes séries de terremotos em Lombok e às necessidades residuais no local, agências da ONU e ONGs estão trabalhando estreitamente com ministérios para fornecer todo o apoio técnico necessário”.

“Com tantas pessoas tendo perdido todos os bens e com muitos serviços básicos sem funcionar, há também uma necessidade urgente e imediata de alimentos, água potável, abrigo, assistência médica e apoio psicossocial”, disse Nirody.

Fonte: ONU/Foto - (Crédito: ONU)

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