Entenda por que é ilusão acreditar que a PEC 55 aumentará investimentos

Notícia postada em 23/11/2016 07:29

Um dos principais argumentos dos defensores da PEC 55 é o de que essa proposta incentivará as empresas do País a investirem mais. O problema é que os empreendimentos brasileiros sequer estão perto de utilizar toda a sua capacidade instalada. Logo, por que elas aumentariam os investimentos?

O questionamento foi feito pelo professor de Economia da USP, Fernando Rugitsky, nesta terça-feira (22), durante a sessão temática sobre a PEC 55 no plenário do Senado. Ele compilou dados da série mensal sobre a utilização da capacidade instalada das indústrias, de 2005 a 2016. E os números mostram que as empresas estão ocupando menos de 78% da sua capacidade instalada.

“Por que as empresas aumentariam a sua capacidade produtiva [como a compra de máquinas e a construção de fábricas adicionais] quando a sua capacidade produtiva já existente não está sendo plenamente ocupada porque não conseguem vender o que já conseguem produzir?”, indagou.

Ainda segundo Rugitsky, não há motivo plausível para que elas aumentem investimento simplesmente por um “choque de confiança”. Esta, aliás, é a mesma linha de raciocínio do professor de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzo. Durante a sessão temática, Belluzo afirmou que o tal aumento da confiança é uma “coisa assim um pouco mágica”.

“Conversem com os empresários, conversem na prática. Alguns, uma boa parte, não conseguem sequer pagar o serviço da dívida por causa do choque de juros. É só conversar com os diretores de crédito de bancos para saber que, na verdade, a única coisa que eles fazem neste momento é reestruturar as dívidas”, disse o professor da Unicamp.

Dívida incontrolável?

Outro argumento favorável à PEC 55 é a de que ela seria o remédio para frear a dívida pública do País. Esse, inclusive, é o posicionamento de um dos palestrantes convidados da sessão temática, o professor da FGV, Armando Castelar. Para ele, sem a proposta em vigor, a dívida brasileira vai “explodir” até o final da década por causa da “gastança desenfreada”.

Essa tese, no entanto, foi refutada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). “Como você tem uma gastança desenfreada se você teve [no Brasil], por dez anos consecutivos, um superávit primário em relação ao seu Produto Interno Bruto?”, questionou a parlamentar. Ela destacou que, de 2003 a 2015, o País só não arrecadou mais do que gastou apenas no ano passado e em 2014.

 Fonte: PT no Senado - por Carlos Mota

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