Em 21 de junho é comemorado o Dia Mundial do Skate

Notícia postada em 18/06/2015 18:37

Programa Bolsa atleta do Ministério do Esporte patrocina 12 skatistas brasileiros de nível internacional.

O skate surgiu como brincadeira de criança. E, como toda criança, a prancha sobre rodinhas cresceu, amadureceu e fez sua própria história. Para celebrar a prática e o estilo de vida relacionados ao skate, em 2004, a International Association of Skateboard Companies (Associação Internacional de Companhias de Skate) criou o Go Skateboarding Day, realizado sempre em 21 de junho, com o intuito de popularizar e chamar a atenção para os potenciais do skate. 

Nada mais justo, afinal, o skate pode ser simples lazer, mas também esporte, cultura e meio para transformação social. No Brasil, a data é conhecida como Dia Mundial do Skate, comemorada com grandes reuniões de skatistas em praça pública (ano passado, em Curitiba, se encontraram mais de 30 mil adeptos e simpatizantes), demonstrações de manobras, entre outras atividades.

Não se sabe exatamente quem foi a primeira pessoa a pregar rodinhas de patins em uma prancha de madeira e se equilibrar em cima (os primeiros relatos remontam à década de 1940), mas o certo é que o skate moderno apareceu em meados dos anos 1960 nos Estados Unidos, especialmente em cidades do estado litorâneo da Califórnia, onde surfistas construíam skates para poder “surfar no asfalto” em períodos de poucas ondas. 

As décadas de 1970 e 1980 viram surgir os pioneiros inovadores do skate, responsáveis pela criação de várias manobras, pelas primeiras competições e pelas nascentes marcas de shapes (as pranchas, com formatos cada vez mais anatômicos), rodas, equipamentos de segurança (capacetes, joelheiras e cotoveleiras) e acessórios. De brincadeira para esporte que movimenta milhões de dólares ao ano foi questão de tempo.

No Brasil, o skate se populariza a partir dos anos 1970. De lá para cá, o país revelou uma série de skatistas de renome, como Lincoln Ueda, Sandro "Mineirinho" Dias e Bob Burnquist – este último, um dos grandes atletas do skate no mundo. Em 5 de junho, Burnquist conquistou sua 28ª medalha na competição X-Games (evento referência para esportes radicais), realizado em Austin (EUA).

Presidente da Associação de Skate da Capital (ASC), de Brasília, Chiquinho Pessanha, 33 anos, afirma que existem motivos para comemorar o 21 de junho. “O Brasil tem uma capacidade imensa no skate. Muita gente está viajando para competir, ganhando prêmios, fazendo vídeos lá fora”, relata. Apesar do bom momento, Chiquinho lamenta que os desafios para o skate no Brasil ainda são muitos. “Desde lugares apropriados para a prática até patrocínio, tudo é muito difícil de conseguir”.

Skate social

Superar obstáculos, entretanto, faz parte da rotina dos skatistas. “O skate me salvou”, afirma o profissional brasiliense Luís Paulo Fernandes, 28 anos, o Aladin. “Enquanto muitos amigos foram para as drogas e para o crime, eu estava andando de skate, me divertindo. Quem quer se tornar profissional precisa de uma dedicação infinita, não sobra tempo para bobagem”, conta. E mesmo quem não tem tanta habilidade para manobras consegue encontrar, via skate, uma janela para arte e cultura. “Tem gente que começa no skate e depois conhece a arte de rua, o grafite, o rock, o hip hop, se torna DJ, forma uma banda”, contextualiza Aladin. Chiquinho Pessanha comenta que o skate tem grande poder socializador. “No futebol, você escolhe um time para torcer. No skate, você torce para quem está ali conseguir fazer a manobra.”

Existem no Brasil várias e diversificadas iniciativas envolvendo o skate e projetos de inclusão social. Atleta na categoria downhill, Gabriel Gonçalves de Sousa, 35 anos, percebeu no caráter agregador do skate uma possibilidade de movimentar social e culturalmente a cidade onde mora, São Sebastião, no Distrito Federal. “Em várias cidades, os eventos de downhill reúnem pais e filhos, gente fazendo churrasco, ouvindo música. É uma maneira de mobilizar a comunidade com esporte e cultura e estamos trazendo isso para São Sebastião.”

Investimento

O Bolsa Atleta do Ministério do Esporte patrocina, atualmente, 12 skatistas brasileiros da categoria “internacional”.  São contemplados os seguintes atletas: Andrez Krob Pereira (RS), Carlos Augusto Correia Paixão (PR), Danky Dean Garcia Ovalhe (RS), Douglas Rodrigues da Silva (RS), Kelvin Hoefler Rodrigues (SP), Leticia Bufoni e Silva (SP), Lucas Perdona da Silva (SC), Max Daniel Ballesteros (MG), Pamela Leite Rosa (SP), Ronaldo Gomes da Silva Filho (SP), Tiago de Souza Mohr (RS), Yan Bertinati (RS). O investimento anual é de R$ 266,4 mil.

A inclusão do skate como modalidade olímpica ainda está em discussão e divide os praticantes – alguns acreditam que ele perderia sua essência “das ruas”, além de os aspectos subjetivos de avaliação de uma performance terem de ser racionalizados para as pontuações. Outros enxergam a questão com bons olhos, pois popularizaria o esporte.

Orçado R$ 226,8 milhões, o Centro de Formação Olímpica (CFO), parceria do governo do Ceará com o governo federal e parte do Plano Brasil Medalhas, com financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) está sendo construído em Fortaleza e será um dos mais modernos complexos esportivos do Brasil, com espaço para 26 modalidades olímpicas, entre elas o skate. A pista de skate foi entregue em setembro de 2014. O complexo vai integrar a Rede Nacional de Treinamento, principal projeto de legado dos Jogos Olímpicos de 2016 para a infraestrutura do esporte brasileiro.

Brasileiros Campeões Mundiais Profissionais

Bob Burnquist é bi campeão mundial no Vertical em 2000 e 2008 e tetra campeão mundial na Mega Rampa em 2011, 2012, 2013 e 2014

Carlos de Andrade é bi campeão mundial no Street em 2000 e 2009

Rodil Ferrugem é bi campeão mundial no Street em 2002 e 2004 

Sandro Dias é hexa campeão mundial no Vertical em 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2011

Sérgio Yuppie é penta campeão mundial no Downhill Slide em 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009

Karen Jones é tetra campeã mundial no Vertical feminino em 2006, 2008, 2012 e 2014

Rodolfo Ramos é bi campeão mundial no Street em 2008 e 2010

Reine Oliveira é campeã mundial de Downhill Slide feminino em 2009

Marcelo Bastos é campeão mundial no Vertical em 2010

Pedro Barros é penta campeão mundial no Bowl em 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014

Letícia Bufoni é tetra campeã mundial no Street feminino em 2010, 2011, 2012 e 2013

Kelvin Hoefler é tetra campeão mundial no Street em 2011, 2012, 2013 e 2014

Douglas Dalua é bi campeão mundial no Downhill Speed em 2012 e 2013

Rony Gomes é campeão mundial no Vertical em 2013

Pamela Rosa é bi campeã mundial no Street feminino em 2013 e 2014

 

Fonte: Portal Brasil com informações do Ministério do Esporte e Confederação Brasileira de Skate

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