Dirigente palestina denuncia cumplicidade dos EUA com ocupação israelense

Notícia postada em 20/05/2018 20:01

Transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém foi descrita pela política palestina Hanan Ashrawi como ato que faz dos Estados Unidos “cúmplices” da ocupação. Para a dirigente, palestinos precisam de um novo arranjo multilateral e de um novo engajamento global para ter seus direitos garantidos.

Em visita à sede da ONU, em Nova Iorque, a dirigente palestina Hanan Ashrawi denunciou na quarta-feira (16) o que descreveu como um “massacre” de seus compatriotas na Faixa de Gaza, onde manifestações eclodiram na segunda-feira (14) contra a ocupação israelense e contra a decisão dos EUA de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Em entrevista às Nações Unidas, a política descreveu a manobra do governo Trump como um ato que faz do país norte-americano “cúmplice” da ocupação.

De acordo com a imprensa internacional, ao menos 60 pessoas, incluindo seis crianças, foram assassinadas por forças israelenses e mais de 1,3 mil ficaram feridas no início da semana.

Questionada sobre seu posicionamento a respeito dos apelos de oficiais da ONU, que pediram que o Hamas parasse de incitar a violência na fronteira de Gaza, Ashrawi afirmou que o grupo está sendo usado como “um conveniente bode expiatório” por Estados-membros. Isso é feito com o objetivo de não responsabilizar Israel pelos “massacres horrendos, pelos assassinatos intencionais e deliberados de inocentes”.

Os protestos chamados de “Grande Marcha do Retorno” começaram em 30 de março e se intensificaram na terça-feira (15) devido ao “Al-Nakba” ou “A Catástrofe”, como os palestinos lembram o êxodo em massa durante a guerra de 1948-1949, que envolveu a criação do Estado de Israel.

“Não é o Hamas que é responsável pelos campos de morte que Israel criou em Gaza. As pessoas que estão nessa marcha para retornar, os protestos civis desarmados contra a transferência da embaixada norte-americana, contra o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, contra o cerco contínuo, essas são expressões da vontade do povo palestino, que estão protestando, se manifestando em suas próprias terras”, afirmou a política.

Segundo Ashrawi, “palestinos estão mandando um recado não apenas para Israel, mas para o resto do mundo, de que somos um povo que está vivo e queremos viver”. “E queremos nossa liberdade e queremos nossos direitos. Isso não é um tipo de incitação ou instigação do Hamas”, completou.

Passado e futuro das negociações

A dirigente, que integra o comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), acrescentou que a “Nakba” é um “processo contínuo, a negação de uma nação inteira, a manutenção de uma nação em um estado de cativeiro e escravidão, (é) a sensação de que Israel tem o direito pleno de fazer o que quer com os palestinos e se livrar (da culpa) disso”.

“O que vimos desde que começamos as negociações em 1991 foi um entrincheiramento da ocupação, um unilateralismo crescente, uma rejeição total dos imperativos do paz. Na verdade, (o que vimos) foi um sistemático desmanche e destruição dos componentes da paz: a expansão dos assentamentos, a anexação de Jerusalém, a limpeza étnica ocorrendo na Palestina. Tudo isso são medidas que tornam a paz impossível”, avaliou Ashrawi.

A política acrescentou que os Estados Unidos “certamente se uniram à Israel como parceiros no crime, se uniram à Israel ao violar o direito internacional e as resoluções do Conselho de Segurança sobre Jerusalém”.

Na sua avaliação, para combater violações de direitos e garantir a efetivação da paz, é necessário “um novo mecanismo multilateral, um novo engajamento internacional”.

Ashrawi também foi perguntada sobre a viabilidade da solução de dois Estados. “Isso está sob muita dúvida, é muito questionável. A menos que haja vontade em se engajar, para intervir efetivamente, não apenas para acabar com as atividades de assentamento, mas para começar a desmontar os assentamentos, Israel terá tido sucesso em sobrepor a Grande Israel sobre toda a Palestina histórica.”

Fonte: ONU/Foto: ONU/Evan Schneider

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