Crise? Vendas do comércio cresceram 0,8% em janeiro. Receita cresceu 8%

Notícia postada em 13/03/2015 19:31

Quando a presidenta Dilma Rousseff, em seu pronunciamento à Nação pediu para que as pessoas conversarem mais e não tomarem o noticiário como última palavra, estava coberta de razão. Nesta sexta-feira (13), o IBGE divulgou a pesquisa sobre o comportamento do comércio varejista, cujo crescimento em volume de vendas foi 0,8% maior do que em dezembro e garantiu alta de 1,3% da receita apurada. Alvo de informações distorcidas, e fora da realidade, muitas pessoas repetem quase que mecanicamente que o comércio está ruim “diante dessa crise que está aí”. Mas será que a economia e o comércio varejista estão tão ruins assim ou só estão repassando aos preços aumentos oportunistas, sob o discurso de que a inflação não será combatida como tem sido?

Pelos dados colhidos, no acumulado em doze meses o volume de vendas do varejo cresceu 1,8% e a receita nominal, 8%. Se olharmos o varejo ampliado, quando se inclui vendas de automóveis, motocicletas e peças, as vendas em igual período realmente tiveram uma retração, de 2,4%. Porém, a receita nominal do varejo ampliado aumentou 3,1%, ou seja, o comércio está faturando mais.

Para espantar o discurso de que há uma crise, a pesquisa do IBGE coloca por terra mais outro mito: o varejo cresceu em cinco das dez atividades pesquisadas. E o crescimento das vendas não foi ruim: equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação venderam 12,3% a mais em janeiro do que em dezembro; as vendas de móveis e eletrodomésticos cresceram 2,4%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos cresceu 1,4%. Vale notar que para alguns produtos de perfumaria e cosméticos houve um ajuste no Imposto de Produtos Industrializados (IPI). Mesmo assim, as vendas cresceram.

De acordo com o IBGE, a maior contribuição para o desempenho positivo do varejo também foi atribuído às vendas de artigos de uso pessoal e doméstico, englobando as lojas de departamentos, joalheria, artigos esportivos e brinquedos. A alta foi de 4,7% na comparação com janeiro de 2014 e de 7,4% no acumulado em doze meses.

Na mesma comparação, ou seja, janeiro de 2015 contra janeiro de 2014, o volume de vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação aumentou 19%. Isso mesmo. Artigos farmacêuticos venderam 5% a mais. Em doze meses, o volume de vendas acumula alta de 8,3%. A atividade do segmento hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, por exemplo, cresceu 0,2% em janeiro deste ano em comparação a janeiro de 2014. No acumulado de doze meses, cresceu 0,9%, abaixo da taxa de 1,8% registrada pelo varejo.

 Quando as pessoas reclamam que os preços do arroz e do feijão estão subindo, é necessário avaliar que alguns empresários estão remarcando os preços sem um motivo especial, e podem agir desta maneira sob a influência negativa do noticiário que despeja pessimismo e descrédito com o Brasil cedo, à tarde e à noite. Os preços da alimentação no domicílio subiram 8%, acima até do que a inflação apurada em doze meses, de 7,1%, segundo apontou o IBGE. Na ponta do produtor, esse aumento não ocorreu.

É por isso que não considere estranho se, na internet ou em algum jornal, deparar com uma notícia negativa sobre o comércio. É verdade que a pesquisa do IBGE mostra que a vendas no varejo ampliada, que inclui veículos, motocicletas e peças, realmente caiu. Essa retração do comércio se refere à venda de veículos novos. Em contrapartida, cresce a venda de veículos usados.

Nesta semana, a Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou que o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou 8,8% em fevereiro. Podemos dizer que essa taxa, dentre outros efeitos, reflete a estratégia do desânimo contagioso, embora o Copom tenha avaliado que a trajetória do comércio continuará influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.

Sobre esse item, o BC nota que o crédito voltado para o consumo passou por moderação, influenciado, na prática, aos próprios bancos que diminuíram a oferta de empréstimos. O outro motivo foi a iniciativa das famílias de diminuir o endividamento. Acontece que a recomendação do Copom vai numa linha contrária ao desenvolvimento, pois considera a moderação de concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito necessárias. O juro da taxa Selic aumentou para 12,75%, para felicidade geral dos rentistas, e o recado para os banqueiros contido na Ata do Copom foi claro: diminuir o crédito para o consumo. Aí sim, o comércio  vai sentir a crise.

Fonte: PT Senado - por Marcello Antunes

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