Coronavírus tem mais chances de derrotar Trump do que Biden, diz jornalista

Notícia postada em 07/09/2020 09:19

Da Rede Brasil Atual - Má gestão de Trump contribuiu para colocar os Estados Unidos no topo do ranking mundial em mortes pela covid-19. Ainda assim, Biden não consegue pautar o debate

São Paulo – Apesar de manter vantagem nas pesquisas eleitorais, o candidato democrata Joe Biden não empolga na disputa contra o atual presidente Donald Trump, que busca a reeleição pelo Partido Republicano. Faltando 60 dias para as eleições, o principal adversário de Trump é o novo coronavírus e a sua “péssima gestão” na tentativa de conter a doença. É o que afirma o jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi, Breno Altman.

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta sexta-feira (4), Altman diz que a vantagem de Biden nas pesquisas é mais “gordura” do que “massa muscular”. E Trump pode surpreender, novamente, assim como ocorreu em 2016. “Biden pode até ganhar, mas quem terá derrotado Trump terá sido o novo coronavírus”, afirmou.

Há quatro anos, Trump também permaneceu atrás em todas as pesquisas eleitorais, mas se sagrou vitorioso ao final da disputa. Apesar de ter recebido 3 milhões de votos a menos que a candidata democrata Hillary Clinton, ganhou em estados considerados chave para a eleição presidencial norte-americana, que funciona pela escolha do colégio eleitoral.

Antes da pandemia, Trump despontava como favorito, impulsionado pelos índices de crescimento econômico e baixo desemprego. Contudo, a covid-19 se alastrou pelos Estados Unidos. Hoje o país ocupa o topo do ranking, com cerca de 182 mil mortos e mais de 6 milhões de contaminados pela doença.

Pesquisa nacional feita pelo Grinnell College e divulgada na última quarta-feira (2) pela agência Bloomberg mostra que o democrata Joe Biden tem uma vantagem de oito pontos percentuais sobre Trump. Enquanto 49% dos eleitores dizem preferir Biden, 41% dizem que vão reconduzir o atual presidente.

‘Dorminhoco’

Para Altman, Biden é um candidato “muito fraco”. Ele destaca que o apelido cunhado por Trump, que se refere ao adversário como “sleepy Biden” – Biden dorminhoco – acabou pegando em parcelas importantes do eleitorado. Por outro lado, o estilo agressivo de Trump faz com que ele consiga pautar as principais discussões no debate eleitoral.

Questão racial

Além da pandemia, outra questão decisiva nas eleições norte-americanas são os protestos antirracistas. Desde maio, quando um policial branco matou George Floyd por sufocamento, em Minessota, manifestações eclodiram em todo o país. Voltaram a ganhar força, recentemente, quando Jakob Blake foi baleado pelas costas por outro policial, no estado de Wisconsin. Enquanto os democratas acusam Trump de ser negligente com os casos de violência policial, o presidente estimula o temor de parte do eleitorado contra os protestos liderados pelo movimento Black Lives Matter.

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