Congelamento de gastos compromete indústria de defesa

Notícia postada em 27/04/2017 13:43

O congelamento dos gastos públicos por vinte anos, aprovado pelo atual governo, colocou em perigo os projetos estratégicos para a defesa do Brasil e o desenvolvimento nacional. “Nas simulações realizadas, os investimentos deverão sofrer contrações brutais”, adverte estudo da Assessoria da Bancada do PT no Senado Federal. Além disso, a ação danosa e indiscriminada da Operação Lava Jato também vem causando prejuízos consideráveis à Base Industrial da Defesa Nacional.

Assim denominada nos governos petistas, a Base Industrial da Defesa, aliada ao reaparelhamento das Forças Armadas, apostava em construir um pilar estratégico da defesa do Brasil. O Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (Paed) incluía, entre outros, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub). Alvo inicial da Lava Jato, o mentor do programa nuclear brasileiro, Almirante Othon, foi um dos primeiros presos da operação, condenada a 43 anos de reclusão.

O mesmo programa ainda articulava o Projeto HX‑BR (programa de helicópteros), o Projeto FX-2 (caças), o Subprojeto de Obtenção de Meios de Superfície (Prosuper – embarcações de superfície), o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) (monitoramento da costa). A previsão de investimentos apontava para centenas de bilhões de reais nas próximas décadas, de acordo com o estudo da assessoria petista. “A implementação desse plano seria fundamental para a posição que o Brasil almeja conquistar no cenário econômico e político”, diz o estudo.

Alvo inicial da Lava Jato, o mentor do programa nuclear brasileiro, Almirante Othon, foi um dos primeiros presos da operação, condenada a 43 anos de reclusão

Divulgado na última segunda-feira (24), durante seminário realizado em Brasília, com presença do presidente Lula,  o documento “Medidas emergenciais para recuperação da economia, do emprego e da renda”, de autoria das bancadas do PT no Senado e na Câmara,  defende medidas de apoio aos setores de alta tecnologia e defesa. De acordo com os parlamentares petistas, “o Brasil possui setores de ponta tecnológica na cadeia de petróleo e gás, eletroeletrônica, biotecnologia, energias renováveis, saúde e sistemas de defesa”. Para as bancadas do PT, “essas são as indústrias nacionais de maior valor agregado e que precisam ser estimuladas, principalmente, por compras públicas e recuperação da obrigatoriedade de conteúdo nacional”.

“Em boa parte dos países desenvolvidos, a indústria vinculada à defesa nacional, inclusive a aeroespacial, é a grande propulsora do desenvolvimento científico e tecnológico nacional”, alerta o estudo da assessoria do PT no Senado Federal. Além disso, segundo o estudo, “a indústria de defesa tem, em muitos países, uma expressão econômica substancial”, gerando empregos e renda. Na Rússia, por exemplo, ela emprega cerca de 20% dos trabalhadores da indústria, enquanto nos EUA, a indústria de defesa emprega ao redor de 3 milhões de trabalhadores, inclusive com muitos postos de trabalho de alta sofisticação.

“Temos de apoiar os setores de alta tecnologia. Temos setores de ponta na tecnologia brasileira. E como fazemos isso?”, questiona a líder da Bancada do PT no Senado Federal, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Para ela, a reposta é “direcionando as compras públicas para quem desenvolve esses setores dentro do mercado brasileiro. Temos de voltar a ter obrigatoriedade de conteúdo nacional. É um absurdo o que estão fazendo!”. “Estão desmontando o conteúdo nacional”, denuncia ela.

Fonte: PT no Senado - Fernando Rosa/Foto: Divulgação

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