Com crise hídrica, bicas e fontes naturais de água atraem paulistanos

Notícia postada em 16/10/2014 14:16

Em época de falta de chuva e crise no abastecimento, os moradores têm recorrido a bicas e poços para contornar a falta de água nas torneiras. Nos quatro dias sem água no Jardim Lourdes, na região de Jabaquara, na Zona Sul, vizinhos recorreram a poços existentes em algumas casas. Um deles foi cavado às pressas em um terreno baldio.

A água era usada para lavar roupas e na higiene do banheiro, mas os moradores relataram que não costumavam beber.

Apesar da crise hídrica, o biólogo e professor da Universidade de São Paulo, José Luiz Mucci, alerta que recorrer a fontes alternativas é sempre um risco. “Toda contaminação da superfície do solo acaba se infiltrando e contamina a água do lençol freático. Não é porque ela está embaixo da terra que ela é sanitariamente segura para consumo humano. É necessário que se faça uma análise”, ressaltou.

As fontes de água na cidade de São Paulo têm chamado a atenção de paulistanos. Algumas que resistiram ao intenso processo de urbanização, no entanto, não têm as análises que garantam que a água é própria para consumo. “A gente não sabe o que está acontecendo lá em cima [no trajeto entre a fonte e lugar onde temos contato com a água]. Podem existir animais que urinam, defecam, que contaminam essa água apesar de ela sair na bica com aparência agradável”, explicou.

A simples filtragem da água não elimina todos os riscos de contaminação. “O ideal seria as pessoas ferverem essa água. O cloro ajuda, mas agua precisa estar transparente e isenta de partículas em suspensão”, contou.

Na Zona Norte, uma fonte atrai pessoas que levam a água para beber em casa ou querem se refrescar no Horto Florestal. O aposentado Gabriel da Rocha costuma encher galões. “A vida toda foi boa, tomo ela ha 20 anos. Essa não tem gosto do cloro. Ponho ela para filtrar e tomo”, contou.

O analista de suporte Osvaldo Takeshi diz que nunca passou mal após ingerir a água. “É como se fosse uma água mineral, muito saudável. Ela nasce no meio das pedras”, disse.

A reportagem do Bom Dia de São Paulo não encontrou em três bicas do horto nenhuma placa que alertasse sobre a qualidade da água. Em outras bicas, uma placa que diz que ela não é adequada para o consumo humano de acordo com os padrões do Ministério da Saúde. Outra alerta para a necessidade de colocar uma gota de cloro para cada litro de água. Confuso pela falta de sinalização, o autônomo Amauri Santos prefere utilizar apenas os bebedouros.

A direção do Horto Florestal disse que todas as fontes estão impróprias para consumo e que só a água dos bebedouros azuis é potável. Novas placas foram instaladas nesta quinta-feira (16).

Ainda na Zona Norte, a fonte Gioconda fica escondida embaixo de uma casa na Avenida Nova Cantareira. Os moradores utilizam a água, que é transparente e sem cheiro, para todas as atividades domésticas. No passado, vizinhos enchiam galões para levar para casa.

Atualmente, o entorno é cheio de lixo.

A fonte São Pedro, que fica dentro de um estacionamento no Tremembé, também resiste bravamente à urbanização. Ao lado da bica tem uma cachoeira, mas a água que corre é suja e cheira mal.

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