Collor diz que é vítima da campanha à reeleição de Janot e rebate acusações

Notícia postada em 05/08/2015 18:22

O senador Fernando Collor (PTB), apontou, durante pronunciamento na tarde desta quarta-feira (5), que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, segue a realizar um festival midiático ao vazar de forma seletiva informações sobre supostos depoimentos. O senador lembrou que, mais uma vez, é vítima da campanha à reeleição de Janot e que todas as acusações serão esclarecidas.

O parlamentar disse que ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) para reaver os bens que foram apreendidos. Porém um fato chamou atenção da defesa de Collor. Antes mesmo de o parecer da Procuradoria-Geral da República sobre a solicitação ser remetido ao ministro Teori Zavascki, o material já estava de posse da imprensa. A informação foi confirmada pelo ministro a defesa de Collor.

“Vejam os senhores que informações que correm sob segredo de justiça foram vazadas seletivamente de forma criminosa por Janot aos meios de comunicação, antes mesmo que o Ministro Relator do Supremo Tribunal Federal tomasse delas conhecimento. Quero aqui repetir que os carros são de propriedade de empresas das quais sou sócio majoritário, sendo eu responsável pelos pagamentos dos respectivos financiamentos”, expôs.

Sobre as informações que as empresas são de fachada e destinadas à lavagem de dinheiro, Collor alerta que é preciso ter cuidado com essas afirmações, “sobretudo com inferências absolutamente infundadas e indevidas”. O senador assegurou que as citadas empresas têm contrato social e estão devidamente registradas na Junta Comercial e, portanto, têm atividades de acordo com o que define a legislação.

Outro ponto destacado por Collor se refere à imputação de benefícios a um suposto “grupo ligado ao senador”. “Afinal que grupo é esse, que ninguém sabe, que ninguém viu? Não seria uma isca besuntada de elementos jornalísticos rasteiros que os meio fisgam com inacreditável facilidade? Tal fato costumeiro em todos os meios só reforça o festim midiático denunciado até por um dos candidatos ao cargo de Procurador-Geral da República. É o uso deslavado para se promover”, classificou.

Ainda no pronunciamento, Collor reiterou que nada tem a ver com os fatos imputados contra ele. O senador disse que tudo não passa de ilações. “São fatos, são falsas versões impingidas à opinião pública de forma a esterilizar a verdade, a escamotear as reais intenções midiáticas do PGR e a impor a narrativa que a ele interessa, principalmente, num momento de campanha pela sua recondução. Utilizam-se do meu nome, utilizam-se de minha imagem, utilizam-se de meus bens para se autopromover. Mas tenham certeza que tudo, a seu tempo e hora, será esclarecido. A verdade, mais uma vez, virá à tona”, assegurou

Reeleição

Hoje se dará a disputa no Ministério Público Federal, para escolha dos nomes que integrarão a lista tríplice a ser encaminhada à Presidente da República visando à indicação do futuro Procurador-Geral da República. Collor lembrou que, desde que o atual ocupante do cargo – e candidato à recondução – se apoderou da função, Janot vem imprimindo aos trabalhos um modus operandi baseado principalmente no conluio com parte da grande mídia, em que prevalece o vazamento de informações – sigilosas ou não -, e a criação de uma narrativa de modo a dar uma aparente veracidade dos fatos.

Após diversos alerta de Collor no Senado, o Tribunal de Contas da União (TCU) começou a investigar, em uma detalhada auditoria de técnicos, dois contratos suspeitos com dispensa de licitação assinados e autorizados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um deles diz respeito ao aluguel de uma luxuosa casa pelo valor de R$ 65 mil por mês em uma área nobre em Brasília. Nove meses após a locação e mais de R$ 1 milhão empregados na reforma, o local está vazio.

O outro tem relação com uma empresa que presta supostamente serviço de comunicação a Janot desde o tempo que ele era diretor da Escola Superior do Ministério Público. Os recorrentes vazamentos de informações sobre investigações da Operação Lava Jato e o contrato com o serviço de comunicação foram alvos de questionamentos por parte de servidores da Procuradoria-Geral. Em carta a Janot, eles mostraram preocupação.

“(…)É perceptível e nos causa perplexidade o descontrole sobre as informações decorrentes da Operação Lava Jato, que redundaram em vazamentos e, segundo a imprensa, colocam em dúvida a legitimidade da atuação institucional e dão margem a questionamentos acerca do tratamento diferenciado que se tem concedido a determinadas empresas de comunicação. (…) mesmo nos mais diversos círculos de convivência, a instituição tem sido ridicularizada e sua isenção questionada, por conta de declarações e imagens consideradas demagógicas e personalistas(…)”, diz um trecho da carta.

Diante do alerta dos servidores da PGR, Collor destacou que essa é a opinião, a leitura do cenário e de tudo que tem ocorrido que fazem os próprios servidores do Ministério Público Federal. “Há ou não há uma sórdida estratégia midiática promovida pela Procuradoria-Geral da República? Por tudo isso, a responsabilidade institucional do Senado Federal, quando da apreciação do nome indicado pela presidente da República ao cargo de PGR, será ainda maior. É preciso que todos, parlamentares, mídia e população, abram os olhos para muitos dos aspectos que estão por trás dessas investigações”, ponderou o senador.

Fonte e foto: Assessoria do Senador

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