Cisternas garantem água nas escolas do Semiárido

Notícia postada em 17/04/2015 13:43

Nova Russas, no Ceará, é a primeira beneficiária do Programa Cisterna nas Escolas, que irá atender 5 mil centros de ensino em 254 municípios da região até 2016; Armazenamento de água da chuva é fundamental para garantir segurança alimentar e aulas durante período de estiagem

A insegurança alimentar causada pela falta de água para consumo nas escolas é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos estudantes da região do Semiárido brasileiro, que alterna ciclos de chuva e longos períodos de estiagem. Graças a ações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com estados e municípios, essa situação começa a mudar.

“Nossa dificuldade com a falta de água era imensa. A gente tinha que pagar uma merendeira para buscar água fora da escola e mesmo assim nunca era suficiente. Agora, temos bastante água, não precisamos mais nos preocupar”, contou ao Portal Brasil Margarida Lopes de Souza, coordenadora da escola Furtado Leite, situada na zona rural do município de Nova Russas, no Ceará. A escola é o primeiro centro de ensino da região do Semiárido a receber uma cisterna de 52 mil litros.

A cisterna, inaugurada no dia 14 de abril, faz parte do Programa Cisterna nas Escolas, uma parceria entre o MDS e a organização Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA). O sistema permite a captação e armazenagem de água da chuva em regiões do Nordeste que enfrentam longos períodos de seca.

O programa, orçado em R$ 69 milhões, prevê a construção de 5 mil cisternas em 254 municípios do Semiárido até 2016. A cisterna escolar é construída com placas de cimento e tem capacidade de armazenar água por até oito meses. O sistema também permite o reabastecimento de água com carros pipa.  As cisternas serão construídas nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

 Para a escola Furtado Leite, a construção da cisterna veio em boa hora. “Essa cisterna já está nos trazendo muita alegria porque a gente pode aproveitar as chuvas de abril. Os alunos podem estudar sossegados. Isso deixa a gente muito mais tranquila”, diz Margarida.

Segundo o titular da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS (Sesan), Arnoldo de Campos, as cisternas são fundamentais para garantir a segurança alimentar dos alunos e a frequência escolar. “No caso das escolas, as crianças poderão estudar todos os dias e não precisam mais voltar para suas casas por falta de água”, afirmou o secretário ao Portal Brasil.

Segundo o secretário Arnoldo de Campos, as cisternas garantem a infraestrutura necessária para que a região tenha capacidade de lidar com os períodos de estiagem, ciclo comum no Semiárido. “O projeto é muito importante dentro de um conjunto abrangente de políticas públicas do Governo Federal para o Semiárido que passa pelo acesso à água, pela inclusão produtiva do pequeno agricultor e pela segurança alimentar”, disse.

O processo de construção de uma cisterna, que tem custo médio de R$ 13 mil, passa por três fases. Num primeiro momento, professores são capacitados para a gestão da água armazenada, além de receberem noções de segurança alimentar e nutricional e de temas de convivência com o Semiárido para a educação infantil. A segunda fase passa pela implantação de uma bomba elétrica e a compra de filtros de barro para tratamento da água. Por fim a cisterna é construída em um prazo de duas semanas.

Água para Todos

O projeto Cisternas nas escolas faz parte do programa do MDS Água para Todos, que financia a construção de cisternas de placas de cimento na região do Semiárido brasileiro desde 2003. A tecnologia é simples e de baixo custo: a água da chuva é captada do telhado por meio de calhas e armazenada.

Desde então, entrou em curso um processo de universalização do acesso e uso da água para famílias de baixa renda que vivem em regiões cujo sistema de abastecimento não possui infraestrutura adequada. Um milhão e 100 mil cisternas já beneficiaram quase 5 milhões de pessoas.

O Programa Água para Todos tem duas diretrizes, além do Cisterna das Escolas.

Primeira Água. Permite a construção de cisternas para captação e armazenamento de água para consumo. Participam famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa ou renda total de até três salários mínimos. A prioridade é para as famílias que atendem os critérios do Bolsa Família. É imprescindível a inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.

Segunda Água. Captação de água para atender a produção do pequeno agricultor que atua no Semiárido. Fazem parte do programa apenas famílias beneficiadas pelo Primeira Água.  

Reforço no abastecimento de água

O Governo Federal anunciou, em janeiro, apoio ao Governo do Estado de São Paulo (SP) em obras para ampliar a oferta de água. Serão investidos, dentro das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),  R$ 830 milhões no sistema de interligação entre o reservatório de aproveitamento hidrelétrico Jaguari (na bacia do Paraíba do Sul), e o reservatório do rio Atibainha (parte do Sistema Cantareira). O objetivo é reforçar o abastecimento de água no estado.

Fonte: Portal Brasil 

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