Cientistas definem próximos passos do programa sobre interação entre Amazônia e clima

Notícia postada em 05/12/2016 11:06

Cerca de 150 pesquisadores do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) discutiram a agenda científica para os próximos cinco anos. Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o LBA é o maior projeto de cooperação científica internacional já criado para estudar as interações entre a floresta amazônica e as condições atmosféricas e climáticas em escala regional e mundial. No encontro realizado no Inpa, os cientistas decidiram priorizar os estudos sobre os ciclos de carbono e metano.

"Do ponto de vista científico, a grande pergunta que cabe ao LBA responder é como a Amazônia funciona em condições naturais e como poderia ser afetada pelas mudanças de uso do solo e mudança do clima", disse o gerente científico do programa, Niro Higuchi.

Ele acrescentou que um total de 20 projetos de pesquisa servirá de base para o LBA nos próximos anos. São 14 projetos financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e seis da cooperação internacional Green Ocean Amazonas (GOAmazon), financiada pelas fundações de amparo à pesquisa do Amazonas (Fapeam) e de São Paulo (Fapesp).

"O LBA é um dos programas que deram certo no Brasil, e é extremamente importante para a ciência na Amazônia", afirmou o diretor do Inpa, Luiz Renato de França.

Já o presidente do Comitê Científico do LBA, Paulo Artaxo, observou que a pesquisa na Amazônia é extremamente dinâmica, produzindo resultados estratégicos e essenciais para as políticas públicas de preservação do bioma. "Um conjunto de universidades e institutos de pesquisas está apresentando resultados neste encontro, e temos certeza que isso é um avanço significativo na ciência para a região."

Pesquisas

Durante o encontro científico, o pesquisador do Inpa Bruce Forsberg falou sobre as emissões e a dinâmica de gás carbônico (CO2) e metano nas áreas alagáveis da Amazônia e como as mudanças climáticas e no uso da terra podem influenciar essas emissões. Segundo ele, as áreas alagáveis da Amazônia são grandes fontes de gases de efeito estufa, especialmente de gás carbônico e metano.

"Fizemos muitas medidas e dimensões das dinâmicas de gases, dentro do Lago de Janaucá, a 110 quilômetros de Manaus. Estamos, hoje, modelando esses dados tentando associar aos cenários de mudança climática e mudança no uso da terra. Já modelamos a influência da mudança climática sobre a vazão dos rios na Amazônia e nas áreas alagáveis", explicou.

Para o pesquisador, de modo geral, as previsões são de que a vazão dos rios em quase toda a bacia amazônica ficará mais baixa no período seco. Já as enchentes serão mais fortes na parte oeste, começando por Manaus, com exceção daqueles rios que vêm do sul, como Purus e Juruá, que ficarão mais secos na cheia. "Por outro lado, na parte leste da Amazônia, onde há planos de construírem hidrelétricas, a vazão será menor no futuro, tanto na cheia quanto na seca, inviabilizando essas obras em termos econômicos", ressaltou Forsberg.

Outro pesquisador do Inpa, Jochen Schongart destacou os distúrbios causados por eventos climáticos, como cheias extremas e secas severas, além daqueles provocados pela Usina Hidrelétrica de Balbina nos igapós, mostrando que esses impactos alteram a estrutura e a composição das florestas alagáveis. "Elas causam mortalidade em grande escala, principalmente, nas baixas topografias, que são sujeitas ao maior tempo de alagamento em comparação com condições normais. Vamos indicar o que se pode esperar no futuro com essa tendência de aumento de cheias e de secas", disse Schongart.

O próximo passo do programa LBA é preparar a minuta da agenda científica de pesquisas que será apresentada na próxima reunião do comitê científico prevista para maio do próximo ano.

Fonte: Inpa

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