Atletas de campo avaliam Engenhão no primeiro dia do Ibero-Americano

Notícia postada em 15/05/2016 20:26

Nas avaliações da pista do Estádio Olímpico, o adjetivo “rápida” foi repetido várias vezes no primeiro dia do Campeonato Ibero-Americano de Atletismo, nesse sábado (14.05), no Rio de Janeiro. Enquanto velocistas e fundistas testavam seus percursos, o Engenhão também passou pelo crivo dos atletas das provas de campo.

No lançamento de martelo, Wagner Domingos, o Montanha, venceu com a marca de 72.18m, ainda distante do índice olímpico (77m), mas deu para avaliar a área de competição. “Está em alto nível. Para nós, o importante é que o piso não esteja nem muito liso nem muito áspero. Aqui está no ponto. A gaiola está no padrão dos melhores estádios”, disse Montanha. Roberto Sawyers, da Costa Rica, ficou com a prata (72.15m) e o outro brasileiro, Allan Wolski, terminou em terceiro (71.69m).

Darlan Romani ficou com o ouro na prova de arremesso de peso, com 19.67m. O brasileiro também gostou da área de disputas. “O setor pra gente está bom, não vi ninguém reclamando. Está esfarelando um pouco, mas é detalhe. É cimento, acaba sendo um pouco normal”, explicou. Em segundo lugar na prova ficou o português Marco Fortes (19.05m), seguido pelo brasileiro William Dourado (18.96m).

Fabiana Murer venceu fácil no salto em altura ao passar o sarrafo em 4.60m. Diamara Planell, de Porto Rico, terminou em segundo com 4.30m, enquanto a argentina Valeria Chiaraviglio e a brasileira Joana Costa completaram o pódio, ambas com 4.10m. A atual vice-campeã mundial aprovou a área de saltos.

“Ela é um pouco macia, mas gosto de pista assim. É veloz, tanto que eu tinha velocidade no fim da corrida, mas faltava um pouco de coordenação por ainda não ter treinado tanto velocidade. O setor do salto com vara está bem feito. Dá confiança de que aqui é possível continuar fazendo boas marcas”, disse a atleta, que já tem índice para o Rio 2016.

Um detalhe foi destacado por Murer. “Tem um setor do dardo que é bem ali no meio, então existe uma pequena queda para o escoamento d'água, uma coisa sutil, mas que dá para sentir na corrida. Isso ajuda a correr mais rápido. Então está bem colocado o encaixe”, explicou.

A velocidade também chamou a atenção no trecho do estádio destinado ao salto em distância. “Achei bacana, gostei muito, não deu problema. A gente tem que sentir que a pista é veloz, e aqui ela é super veloz e te leva para frente”, avaliou Eliane Martins, também já garantida nos Jogos Olímpicos em agosto.

Ela venceu a prova deste sábado com a marca de 6.52m, seguida pelas compatriotas Keila Costa (6.43m), outra atleta com índice olímpico – tanto no salto em distância quanto no salto triplo -, e Jéssica Reis (6.31m). Keila também comentou a área de competição. “Eu gosto, são dois setores. A gente fica livre para aquecer durante a prova. A pista é sem comentários, perfeita, rápida. Corri fácil, tranquilo”, disse.

O que significa pista rápida?
A velocidade da pista, tão citada pelos atletas, foi explicada por quem é familiarizado com ela. Ex-corredor dos 800m e 1.500m e atual diretor executivo de Esportes do Comitê Rio 2016, Agberto Guimarães atribuiu essa característica da pista à densidade do material.

“A mesma empresa faz o mesmo piso com densidades diferentes. Uma pista um pouquinho mais dura é mais rápida, como esta. Você tem mais tração”, explicou. Ele também comentou o avanço da tecnologia a cada Olimpíada. “As empresas sempre fazem ajustes nos equipamentos para as edições seguintes dos Jogos Olímpicos. Quem faz a pista de atletismo só vai ser reconhecido se tiver recordes. Isso é o que a gente espera. Ficamos felizes com os atletas dizendo que ela é rápida”, completou. Apesar da densidade alta, segundo Agberto, a pista continua com o amortecimento adequado.

Outros resultados da noite de sábado
Nos 100m rasos, Rosângela Santos ficou com a medalha de ouro ao finalizar a prova em 11s24, correndo mais uma vez abaixo do índice olímpico (11s32). A primeira vez que ela superou a marca para o Rio 2016 foi no Troféu Brasil 2015, em maio do ano passado, já dentro do período em que as marcas mínimas começaram a ser reconhecidas para os Jogos Olímpicos. Rosângela também tem índice para os 200m. A equatoriana Angela Tenorio, primeira mulher sul-americana a correr os 100m abaixo dos 11s, no Pan de Toronto 2015, ficou com a prata, com 11s29. Outra equatoriana, Landazuri Marisol, fechou o pódio (11s35).

Entre os homens, o dominicano Stanly Cruz venceu os 100m com a marca de 10s27, superando por um segundo o brasileiro Bruno Lins (10s28). O colombiano Diego Echavarría terminou em terceiro lugar, com 10s30. O índice olímpico para esta prova é 10s16. Nenhum brasileiro até agora conseguiu. O período para obtenção do índice termina em 3 de julho, no Troféu Brasil 2016.

Murer: na preparação para agosto
Em ritmo de treino, Fabiana Murer, um dos grandes nomes do atletismo brasileiro, competiu no Ibero-Americano com o objetivo de conhecer melhor a área de salto com vara. “Eu vim para cá sem expectativas de marcas. Ainda estou treinando forte e vou começar a treinar velocidade. Ainda tenho duas semanas fortes de treino para estar no nível de competição. Achei bom, foi realmente um treino para mim, fiz bastantes saltos, que era uma coisa que eu queria”.

Fabiana Murer começou saltando na marca de 4.40m, acima da altura que deu a prata à portorriquenha Planell. Realidade bem diferente da que a atleta vai encontrar nas Olimpíadas. Por isso, a vice-campeã mundial tem um plano de treinos bem definido até agosto.

“Eu vou para a Europa em julho. Tem mais duas etapas da Liga Diamante, que são em Mônaco e Londres. Depois, volto para o Brasil e vou fazer a preparação em São Caetano (SP), que é onde eu treino, estou acostumada e sei que vou ter todas as condições. Todo o material que preciso está lá. Vou ficar em casa e venho dois ou três dias antes da competição. É perto, tranquilo pegar o voo”, explicou Murer. Ela quer evitar deslocamentos e preocupações com os horários da Vila dos Atletas. “Já sei o caminho para a pista em São Caetano, quanto tempo levo, então prefiro manter minha rotina”.

Mesmo tendo dito que o caminho até as Olimpíadas, com muitos treinos e competições, ainda é longo, a atleta já vive a expectativa dos Jogos, especialmente por serem no Brasil. “A expectativa é grande para que cheguem as Olimpíadas. Eu fiz questão de continuar a carreira até 2016. Esse é meu último ano, até pensava em parar antes, mas decidi continuar para ter essa oportunidade de competir uma Olimpíada em casa. Eu acho que vai ser bom, os atletas crescem com o fator casa, a torcida acaba incentivando, a motivação é maior, tem os amigos, a família na arquibancada e isso é muito importante”, completou.

Fonte: Ministério dos Esporte - Carol Delmazo e Gabriel Fialho, brasil2016.gov.

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