Artefatos de 2 mil anos em exposição na zona Leste, em Manaus

Notícia postada em 13/05/2015 08:46

A Universidade Federal do Amazonas, por meio do Museu Amazônico, mantém, até o próximo 8 de junho, no Shopping Via Norte, a mostra Artefatos Arqueológicos e Etnográficos, em parceria com o próprio empreendimento comercial. A exposição abrange peças do acervo do Museu, do laboratório de Arqueologia da Universidade, contando com apoio de pesquisadores da Uatumã Arqueologia, Sociedade e Meio Ambiente.    Alocado em um espaço de aproximadamente 100 metros quadrados, a mostra tem fragmentos cerâmicos, vasilhames datados dos séculos IV e IX, apliques cerâmicos, artefatos polidos e de rochas lascadas e até uma urna funerária, de pelo menos 2.000 anos, que até então não tinha sido exposta. Há, ainda, instrumentos musicais da etnia Sateré-Mawé diversos outros artefatos das etnias Baniwa e Tikuna.      Segundo um dos organizadores do evento, professor Carlos Augusto, do Departamento de Ciências do Ambiente e colaborador do Museu Amazônico, contou que Manaus é uma das capitais brasileiras mais ricas em patrimônio arqueológico-pré-colonial.   "Tanto na área urbana, quanto no entorno, já foram localizados quase uma dezena de sítios. Na zona Leste, onde está localizado o empreendimento que abriga lojas e também, a exposição temporária, pesquisas sugerem que a região foi densamente ocupada por povos ainda não devidamente identificados", disse o professor.    Ele falou, ainda, que os primeiros registros dessas populações datam de 1669, mas não muito que se saiba por meio de escritos. A compreensão de suas origens e quem eram se baseiam nos materiais encontrados.    "O bairro do Japiim é onde encontramos muitos desses pedaços de história, a qual sabemos que existem porque moradores da área os encontram e pensam que é um simples resto de construção. Para se ter uma ideia de sua importância, muito do que se consome hoje, foi certamente introduzido na nossa cultura por esses povos. Portanto, é muito importante conservar os materiais", frisou.      De passagem pelo shopping, o morador do bairro Jhenisson Progenio se interessou em levar a família para conhecer a mostra.    "Eu não sabia que havia tanta história aqui. Eu particularmente me interesso muito pelo assunto, procuro ler e me informar e esta é uma boa oportunidade de aprender", disse o visitante, que pode conferir cinco conjuntos de peças, cada conjunto variando com o quantitativo unitário até dez fragmentos.   Para a diretora do Museu Amazônico, professora Maria Helena Ortolan, os moradores da comunidade que circundam o shopping estão tendo a oportunidade de conhecer a história de seus antepassados.    "Cada artefato desse traz consigo a cultura, a tecnologia desses povos. Estamos falando de milhares anos, mas eles tinham tecnologia, não foi trazido de fora para cá, eles tinham a própria. Ao contrário do que se pode achar, os que ingressaram na Amazônia estagnaram essa capacidade de solucionar as questões cotidianas", contou.   Fonte: UFAM

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