Ancine apresenta estudo sobre diversidade de gênero e raça no mercado audiovisual

Notícia postada em 26/01/2018 20:20

O mercado cinematográfico brasileiro é uma indústria protagonizada por homens brancos. Levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine), tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016, mostra que são dos homens brancos a direção de 75,4% dos longas. As mulheres brancas assinam a direção de 19,7% dos filmes, enquanto apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.    Esta é apenas uma de uma série de informações de um estudo apresentado pela Ancine nesta quinta-feira (25), no auditório Gustavo Dahl, na sede da Agência no Rio de Janeiro. O levantamento, intitulado "Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016", dá continuidade à análise de dados sobre a participação feminina que a Superintendência de Análise de Mercado vem produzindo desde 2014. Trata-se do primeiro estudo que apresenta recortes de cor e raça a ser realizado pela Ancine. A publicação promete ser anual e o balanço de 2017 será divulgado em junho deste ano no Observatório do Cinema e Audiovisual.   "O primeiro passo para se pensar em políticas públicas afirmativas é a produção de conhecimento e levantamento de dados. Esse tipo de pesquisa nos ajuda a entender melhor o mercado que regulamos e fomentamos e a pensar em que direções seguir. Estamos atentos às demandas do mercado. Foi pensando nisso que instauramos também, em novembro, a Comissão de Gênero, Raça e Diversidade, que tem o objetivo de desempenhar atividades relacionadas à promoção da inclusão, da diversidade e da igualdade de oportunidades no âmbito de atuação da Ancine", explicou o diretor-presidente, Christian de Castro.    O evento contou com a presença do secretário do Audiovisual do MinC, João Batista, e do diretor da Ancine, Alex Braga. O estudo foi apresentado pela superintendente de Análise de Mercado, Luana Rufino, e pela equipe da Coordenação de Monitoramento de Cinema, Vídeo Doméstico e Vídeo por Demanda, que elaborou o trabalho: Gledson Merces, Heloisa Machado e Danielle Borges (SAM/CCV).   O universo da pesquisa apresentada consistiu na análise dos 142 longas brasileiros lançados em 2016, segundo dados do Sistema de Acompanhamento da Distribuição em Salas de Exibição (Sadis). Cada filme teve as funções de direção, roteiro, produção executiva e elenco classificadas quanto a identidade de gênero e raça/cor. Já as funções de direção de fotografia e direção de arte tiveram classificação quanto à identidade de gênero.    A análise apontou o domínio de homens brancos não apenas na direção, mas nas principais funções de liderança no cinema, o que evidencia que as histórias exibidas nas telas do país, produzidas por brasileiros, têm sido contadas majoritariamente do ponto de vista dos homens: 68% deles assinam o roteiro dos filmes de ficção, 63,6% dos documentários e 100% das animações brasileiras de 2016. Os homens dominam também as funções de direção de fotografia (85%) e direção de arte (59%).   As posições só se invertem nas funções de produção. Assinam a produção executiva 36,9% de mulheres brancas, contra 26,2% de homens brancos. As equipes mistas, com homens e mulheres brancas, somam 26,2%. Os homens negros assumem 2,1% da função de produção. Sozinhas, as mulheres negras não assinam nenhuma produção. Apenas 1% de mulheres brancas e negras respondem à função em equipes mistas.     A participação nos elencos das obras também mostra a sub-representação da população negra.  Apesar de o Brasil ser formado por 50,7% de negros, o percentual de negros e pardos no elenco dos 97 filmes brasileiros de ficção lançados em 2016 foi de apenas 13,4%.    Ações afirmativas   Os dados da pesquisa "Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016" refletem a realidade do país e são o primeiro passo para a construção de uma política pública efetiva de reversão desse cenário de desigualdade no âmbito do setor audiovisual.   A primeira ação dessa política, que está sendo discutida no Conselho Superior de Cinema, é o lançamento do maior pacote de editais em volume de recursos da história da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, voltado a estimular a inserção de mulheres, negros e indígenas no mercado audiovisual. Também será incentivada a participação de novos talentos. O anúncio ocorrerá na primeira quinzena de fevereiro.    Outras ações serão discutidas pelo Conselho, com o objetivo de consolidar uma política consistente de promoção da diversidade no setor. Com isso, o Ministério da Cultura espera impactar diretamente o mercado, promovendo mais igualdade e oportunidade no âmbito cultural.   Confira o estudo   Agência Nacional do Cinema (Ancine) Ministério da Cultura

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