Alckmin busca a privatização das escolas com fins eleitorais, diz professor da Unicamp

Notícia postada em 26/11/2015 10:23

Segundo Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Unicamp, o processo de privatização diminuiu a nota de vários países como Suécia e Austrália em um programa internacional de avaliação.

Em entrevista à Rede Brasil Atual publicada na terça-feira (24), o professor Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Unicamp, afirmou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) aposta na privatização da educação como algo inovador, capaz de resolver os problemas, pensando em 2018, quando pretende disputar a Presidência da República novamente.

Nesta quarta-feira (26), subiu para 148 o número de escolas ocupadas no estado de São Paulo contra o projeto de reorganização imposta pelo Alckmin. Freitas explicou que fechar escolas foi uma ação dos Estados Unidos há alguns anos, quando dezenas de unidades que não atingiram as metas específicas deixaram de funcionar e outras foram privatizadas.

“Políticas semelhantes as de Alckmin foram adotadas em outros países pelos reformadores empresariais da educação e não resolveram a questão por lá. Pelo contrário, nos Estados Unidos há dez anos as médias dos estudantes patinam em avaliações internacionais como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, sigla em inglês)”, afirmou.

A Pisa é uma avaliação aplicada a alunos na faixa dos 15 anos, em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Do mesmo modo, a Suécia e a Austrália, que privatizaram a escolas, caíram no Pisa. O Chile está dando marcha a ré nessas políticas que destroem a escola pública e não produzem avanço. Portanto, não resolverá aqui também”, disse.

Segundo o professor, a privatização tem sido implementada há algum tempo no ensino médio de São Paulo por meio do modelo de escola de tempo integral do Instituto de Corresponsabilidade Educacional e a agora chegou a vez da segunda etapa, a reorganização das escolas.

“A primeira foi em 1995, que fechou cerca de 150 escolas. Processo semelhante foi conduzido pela prefeitura da Cidade de Nova York no início dos anos 2000 associado à crescente terceirização das escolas, com financiamento de Bill Gates. Ele investiu US$ 2 bilhões na nova reestruturação, na ideia de reduzir as escolas maiores por menores. Como os resultados não corresponderam ao esperado, ele cessou a linha de apoio”, explicou.

O professor afirma que, nas atuais condições do estado de São Paulo, com o sistema sem melhorar há há uma década, o governo Alckmin encaminha para a privatização das escolas.

“O governador é candidato à Presidência da República em 2018 e tem de chegar lá com algum diferencial na área. O governo chegou a divulgar um documento simplório que seria a base do processo de reorganização. Quem tem o plano das organizações são as consultorias privadas Mckinsey e Falconi, que assessoram o governo e são pagas por empresários”, ressaltou.

Fonte: Agência PT de Notícias, com informações da Rede Brasil Atual/ Foto: Kevin David/SigmaPress/FolhaPress

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