'A poesia resiste, apesar de tudo', diz Augusto de Campos, Prêmio Ibero-Americano de Poesia

Notícia postada em 08/10/2015 16:33

"A poesia resiste, apesar de tudo", disse Augusto de Campos ao receber, hoje, dia 7, das mãos da presidente do Chile, Micelle Bachelet, o Prêmio Ibero-Americano de Poesia Pablo Neruda 2015, no Palácio de La Moneda, sede do governo chileno. O prêmio, anual, é concedido pelo Conselho Nacional da Cultura e das Artes (CNCA) do Chile e, pela primeira vez, é entregue a um escritor de língua portuguesa.

A solenidade contou com a presença do ministro da Cultura chileno, Ernesto Ottone, e do ministro da Cultura brasileiro, Juca Ferreira, entre outras autoridades e familiares do escritor.

Bachelet defendeu uma aproximação cultura entre Brasil e Chile. "Apesar de sua enorme presença artística no mundo, apesar da beleza arrasadora e da popularidade de sua música, apesar de tantas boas razões, a cultura do Brasil continua sendo um pouco alheia para nós chilenos, e essa estranheza nos empobrece", disse a presidente.

Juca Ferreira destacou a importância da obra de Augusto de Campos. "A poesia concreta se estende para o plano conceitual, para o plano do cinema, da produção de imagem, da música". O ministro comentou a coincidência de Augusto de Campos ser o homenageado, deste ano, da Ordem do Mérito Cultural, que será entregue no Dia Nacional da Cultura, 5 de novembro.

O Prêmio

O Prêmio Iberoamericano de Poesia, considerado um dos maiores da fala hispânica,
foi criado em 2004 pelo centenário de nascimento do poeta chileno, conta com o patrocínio da Fundação Pablo Neruda e uma premiação de US$ 60 mil. O júri que elegeu o brasileiro foi integrado pela uruguaia Silvia Guerra, o colombiano Juan Manuel Roca, a cubana Reina María Rodríguez e os chilenos Óscar Hahn e Carmen Berenguer.

Desde sua criação, foram agraciados o mexicano José Emilio Pacheco (2004), o argentino Juan Gelman (2005), o nicaraguense Ernesto Cardenal (2009), os peruanos Carlos Germán Belli (2006) e Antonio Cisneros (2010), os cubanos Fina García-Marruz (2007), José Kozer (2013) e Reina María Rodríguez (2014), além dos chilenos Carmen Berenguer (2008), Óscar Hahn (2011) e Nicanor Parra (2012).

Augusto de Campos

"Foi mais que uma surpresa", comentou o agraciado, poeta, tradutor, ensaísta, crítico de literatura e música. Primeiro, porque o prêmio nunca havia sido concedido a escritor de língua portuguesa. Depois, pela peculiaridade de sua obra.

"Minha poesia é experimental, que lida com territórios desconhecidos ou pouco frequentados pela literatura convencional", comentou Augusto, criador – junto a seu irmão Haroldo de Campos e a Décio Pignatari – do Movimento Concretista no Brasil. "Jamais poderia imaginar que me outorgassem um prêmio".

Em novembro, Augusto de Campos receberá outro prêmio: coincidentemente, será o homenageado da Ordem do Mérito Cultural, no dia 5 de novembro, em Brasília.

Cooperação Cinematográfica

Além da solenidade de entrega do prêmio, o ministro Juca Ferreira participou de dois outros compromissos na capital chilena nesta quarta-feira. No início da tarde, assinou, com seu par chileno, Ernesto Ottone, um protocolo de cooperação cinematográfica para apoio à coprodução de filmes de longa-metragem, de qualquer gênero, entre os dois países.

O Conselho Nacional da Cultura e das Artes (CNCA) do Chile e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) farão aporte financeiro equivalente a US$ 100 mil, cada, no primeiro ano de execução do protocolo. Ao longo desse período, O CNCA e a Ancine irão lançar um concurso, público e oficial, que selecionará um projeto de filme de cada país que receberá apoio à coprodução.

12ª Bienal de Artes Mediales

Em seguida, Juca Ferreira acompanhou Ernesto Ottone a uma visita guiada ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), onde será inaugurada, nesta quinta-feira, dia 8, a 12ª Bienal de Artes Mediales (BAM). Também participaram da visita Roberto Farriol, diretor do Museu, e Enrique Rivera, diretor da Bienal de Artes Mediales (Bienal de Artes Digitais).

Ernesto Ottone destacou a importância da Bienal como "o evento de maior trajetória e impacto para a arte, a ciência, a tecnologia e a cultura digital em nosso país¨. Juca Ferreira falou da importância que sua gestão dá aos novos meios, a partir do entendimento de que "a dimensão digital, os novos meios, as múltiplas telas vem modificando o sentimento de espaço de tempo, o que criou um território cultural dos mais importantes, talvez o mais importante do momento atual, porque ele possibilita a articulação planetária dos criadores e a possibilidade de desenvolvimento de novas estéticas, nós temos apoiado o processo de desenvolvimento de cultura digital e temos estimulado que nova geração de criadores, mesmo que trabalhem com outras linguagens, passem por esse território dos meios digitais".

Fonte: MinC/Foto: 

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